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domingo, 13 de outubro de 2013

Versículos, versículos, versículos, é disso que precisamos

Hoje tive uma experiência que me deixou triste. Fui a procura de uma igreja aqui no bairro onde estou morando em João Pessoa. A primeira igreja que visitei estava fechada, não havia mais EBD a despeito de haver na placa indicando aquele horário. Depois andei mais um pouco a procura de outra e encontrei. Entrei, perguntei pela sala dos jovens e me enviaram por acidente a sala dos juvenis (de 15 a 17 anos). Assisti a aula. No entanto, fiquei me perguntando o tempo todo: esses jovens estão sendo preparados para enfrentar a faculdade? A resposta me veio na mente: Não. Por Deus, eu entrei na faculdade com 17 anos, a idade de muitos dessa classe - eu pensei. Na lição havia pouco do evangelho, havia pouco da bíblia, havia pouco da maturidade para encarar a universidade, havia pouco do raciocínio lógico próprio da Teologia, havia pouco do preparo necessário para encarar a vida cristã. Me preocupei, fiquei triste, o coração doeu. É a igreja de Cristo! São as pessoas pelas quais Cristo morreu, e as quais precisam receber alimento sólido, eu pensei. É triste ter que escutar, ou ouvir que um irmão nosso haverá de escutar a advertência de Hebreus: 

"Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal" (Hebreus 5.12-14).

Precisamos mais da exposição da bíblia. Não há nada mais poderoso do que o conhecimento das Escrituras para nos fazer santos. Podemos escutar alguém nos dizer o que devemos fazer, mas para um crente nada é tão poderoso quanto escutar: Assim diz o Senhor! E somente quando abrimos a nossa bíblia é que podemos encontrar Deus falando assim. Não há nada mais poderoso do que saber o que deve ser feito, o porque e com quais motivações. A bíblia nos apresenta isso, e tudo isso é necessário. Mas também só ela apresenta, haja vista tudo quanto devemos fazer encontrar uma motivação primeira e última em realidades espirituais. 

Spurgeon certa vez escreveu: 

"Já vimos as doutrinas da graça produzirem excelente moralidade, séria integridade, delicada pureza, e, mais ainda, devota santidade. Vemos consagração na vida, calma resignação na hora do sofrimento, alegre confiança no que se refere à morte, e todas essas coisas, não em poucos casos, em geral, são resultado da fé inteligente nos ensinos das Escrituras. 

Alguns têm pregado boas obras até que dificilmente sobre uma pessoa decente na igreja, enquanto outros pregam a graça e amor vicário de tal modo que pecadores se tornam santos, e santos se tornam galhos carregados de frutos para o louvor e a glória de Deus".

Não podemos nos esquecer que o nosso Mestre nos ensinou que somos santificados na verdade da palavra (João 17:17).

Você pode estar se perguntando por que eu compartilhei isso. Eu abomino a critica à igreja por parte daqueles que não a amam, que não possuem um real desejo de vê-la frutificar. Não quero ser uma pessoa assim. A razão é porque vejo que a Missão Federal tem sido coluna e baluarte da verdade (1 Tm 3.15). E ela precisa continuar sendo, sempre. Sei que de lá sairá bons líderes, pessoas que ensinarão em suas igrejas, cuidarão de crianças, adolescentes e jovens. Tenho essa fé no meu coração. No entanto, ao fazê-lo, lembrem-se do que aprenderam, da necessidade de serem bons expositores da Escrituras, de alimentar o rebanho a quem Deus haverá de lhes confiar com fidelidade, amor e confiança no poder que há somente nas Escrituras. Não se satisfaçam até terem a certeza que tudo quanto é pregado está recheado da verdade extraída da Bíblia. 

Versículos, versículos, versículos, é disso que precisamos. Fidelidade, fidelidade, fidelidade, é isso que almejamos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Uma breve teologia do sono - John Piper

5 horas da manhã. Na manhã de domingo o mundo não é escuro, mas também não há cor. Tudo é preto, branco e cinza, exceto a luz laranja na garagem do outro lado da rua, que brilha através da janela do meu quarto. Não há brisa, e as folhas de álamo são capturadas como uma fotografia em silêncio. As estrelas se foram, mas o sol não surgiu de todo; por isso, você não pode dizer se o céu está nublado ou claro. Muito em breve saberemos.
Sento na beira da minha cama tentando desenvolver uma teologia do sono. Por que Deus nos projetou de tal forma que tivéssemos necessidade de sono? Dormimos durante um terço das nossas vidas. Apenas pense nisso: gastamos um terço das nossas vidas como mortos. Basta pensar em tudo o que está sendo deixado de lado, mas que poderia ser feito, se Deus não tivesse nos projetado para precisar de sono. Certamente não há dúvida que ele poderia ter nos criado com nenhuma necessidade de sono. E apenas pense: todos poderiam se devotar a duas carreiras, e não sentir-se cansado. Todo mundo poderia ser um “obreiro cristão em tempo integral” e ainda manter o seu trabalho. Poderíamos nos envolver em muitas coisas dos negócios do nosso Pai.

Por que Deus imaginou o sono? Ele nunca dorme! Ele teve a ideia do nada. Deus criou o sono pensando nas suas criaturas terrenas. Mas por quê? O Salmo 127.2 diz: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem”. De acordo com esse texto, o sono é um dom de amor, e um dom que é frequentemente desprezado pela labuta ansiosa. Um sono tranquilo é o oposto da ansiedade. Deus não quer que seus filhos sejam ansiosos, mas que confiem nele. Portanto, concluo que Deus criou o sono como um lembrete contínuo de que não deveríamos ficar ansiosos, mas descansar nele.
Sono é um lembrete diário, da parte de Deus, de que não somos Deus. “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4). Mas Israel dormirá. Não somos Deus! Uma vez ao dia Deus nos envia para a cama como pacientes com uma doença. A doença é a tendência crônica de pensar que estamos no controle e que nosso trabalho é indispensável. Para nos curar dessa doença Deus nos transforma em sacos indefesos de areia uma vez por dia. Quão humilhante ao executivo corporativo autossuficiente ter que entregar todo o controle e ficar tão mole quanto um lactente todo dia.
O sono é uma parábola que Deus é Deus e nós meros homens. Deus cuida do mundo numa boa enquanto o hemisfério dorme. O sono é como um disco quebrado que toca a mesma mensagem todos os dias: O homem não é soberano. O homem não é soberano. O homem não é soberano. Não deixe que a lição se perca em você. Deus quer que confiemos nele como o grande trabalhador que nunca se cansa e nunca dorme. Ele não fica impressionado com as nossas noites acordadas nem quando madrugamos cedo; mas ele se deleita com a confiança tranquila que lança toda a ansiedade nele e dorme.
Em busca do descanso,
Pastor John
(Fonte)

domingo, 28 de julho de 2013

A doutrina do pecado e o evangelismo verdadiero - Dr. Martyn Lloyd-Jones

Não existe evangelismo verdadeiro sem a doutrina do pecado, e, por semelhante modo, sem a compreensão do que seja o pecado. Não quero ser injusto, mas assevero que um Evangelho que meramente diga: “Venha a Jesus”, oferecendo-O como um Amigo, oferecendo aos homens uma maravilhosa vida nova, mas sem o antecedente da convicção de pecado não é o Evangelho do Novo Testamento. A essência do evangelismo consiste em se começar a pregação pelas exigências da lei; e é por causa do fato que a lei não vem sendo devidamente pregada que há tanto evangelismo superficial. Examine a questão por meio do próprio ministério do Senhor Jesus, e você não poderá evitar a impressão de que, vez por outra, longe de pressionar as pessoas para que O seguissem e se decidissem por Ele, Ele colocou grandes obstáculos no caminho delas. É como se Jesus tivesse dito: “Você percebe o que está fazendo? Você já calculou o preço? Você percebe onde isso poderá levá-lo? Você sabe o que significa negar-se a si mesmo, tomar a cruz diariamente e seguir-Me?”. O evangelismo autêntico, assevero eu, em virtude da doutrina do pecado, sempre deve ter início pela pregação das exigências da lei. Isso significa que devemos explicar que a humanidade está diante da santidade de Deus, que os homens são confrontados pelos Seus requisítos e também pelas horrendas conseqüências do pecado. É o próprio Filho de Deus quem adverte os homens da possibilidade de serem lançados no inferno. Ora, se porventura você não gosta da doutrina do inferno, então está simplesmente discordando de Jesus Cristo. Ele, que é o Filho de Deus, acreditava na existência do inferno; e é na exposição que Ele fez sobre a verdadeira natureza do pecado que descobrimos que Ele ensinou que o pecado, em última análise, leva os homens ao inferno. Assim sendo, a evangelização de uma pessoa deve começar pela santidade de Deus, pela pecaminosidade do homem, pelas exigências da lei, pela punição determinada pela lei e, finalmente, pelas eternas conseqüências do mal e da prática da injustiça. Somente o indivíduo que foi levado a perceber a sua própria culpa, dessa maneira, pode recorrer a Cristo, para dEle receber livramento e redenção. Qualquer crença no Senhor Jesus Cristo que não esteja alicerçada sobre esses fatores, não é uma crença autêntica em Cristo. Uma pessoa pode ter um tipo de crença psicológica, até mesmo no Senhor Jesus Cristo; mas a crença legítima enxerga nEle o Libertador que nos livra da maldição da lei. O verdadeiro evangelismo começa por aí, e, como é óbvio, envolve, primariamente, a chamada ao arrependimento, “...o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (Atos 20:21).

(Martyn Lloyd-Jones. Estudos no Sermão do Monte. Pag. 218-219).

domingo, 21 de julho de 2013

A Autoridade, Inerrância e Suficiência das Escrituras - Por Otniel Cabral Ramos

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil 
para o ensino, para a repreensão, para a 
correção e para a instrução na justiça
(2 Tm 2.16).

No mundo contemporâneo as pessoas não buscam mais uma verdade absoluta nem tampouco a sua comunicação (FERREIRA E MYATT, 2007). A verdade é algo que pertence a cada um, que provem da subjetividade humana. Este pensamento tem influência de eminentes filósofos, como Kierkegaard, Nietzsche entre outros. Eles procuravam romper com o modelo dominante da modernidade, pautado no positivismo lógico, racionalismo, sistematização científica, objetividade e na busca pela verdade universal. Hoje é notória a influência de transmissão deste conhecimento, denominado de relatividade da verdade, pelos meios de comunicação: Televisão, cinema, jornais, revistas, música e internet. Frente a isto tudo, qual a importância das Escrituras diante deste contexto?
São três os conceitos que serão apresentados: a autoridade, inerrância e suficiência da Bíblia. Estes três pontos são contra culturais, porque reivindicam um projeto diferente daquele em que a sociedade se encontra imersa em sua grande maioria, a Bíblia é a Palavra de Deus.
Deus ao criar o ser humano, Ele próprio, procurou se comunicar com a humanidade (Gn 2.15,16), só que o homem caiu, pecou e perdeu esta comunicação (Gn 3.1-24). No entanto Ele não deixou de se revelar para humanidade, de se apresentar cognoscível. Isto ocorreu de duas formas: mediante a revelação geral e a específica, a primeira se deu através da natureza (Sl 19.1-6, Rm 1.18-21), só que esta foi limitada, uma vez que a ênfase é no poder eterno de Deus e Sua divindade (BOICE, 2011). A segunda revelação é dupla, na Bíblia – a Palavra Escrita (Rm 15.4; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.16-21) – e em Jesus Cristo – a Palavra Viva (Jo1. 1, 14, 18; Hb 1.1,2) (SILVA, 2006). A ênfase neste texto será a bíblia como revelação de Deus para humanidade. Para que creiamos que a Bíblia é a palavra de Deus, faz-se jus começar pela sua autoridade.
A Bíblia é importante por ser a Palavra de Deus escrita. Esta conclusão se extrai dela própria, ou seja, a Bíblia ensina que ela é a palavra de Deus. Não temos dificuldade quando pensamos que a usamos para defendermos doutrinas básicas: a Doutrina de Deus, de Jesus, do Espírito Santo. Como diz James Montgomery “... se a Bíblia tem autoridade e é correta nesses assuntos, não há razão pela qual ela não deveria ter autoridade e ser correta quando fala de si mesma” (2011, p.38).
Quando seguimos este caminho nos deparamos com a afirmação que Paulo faz a Timóteo, “Toda a Escritura é inspirada por Deus...” (2 Tm 3.16ª ARA). O termo inspirar, quando analisado no grego (theopneustos), significa literalmente soprada por Deus (BOICE, 2011; FERREIRA E MYATT, 2007). Este texto mostra que a Bíblia foi soprada por Deus a seus escritores (2 Pe 1.21).
Sabedores que a Bíblia é a Palavra de Deus, os reformadores cunharam o termo Sola Scriptura, como forma de combater a relativização que a igreja romana concedia a Palavra, enfraquecendo a sua autoridade e exaltando a tradição humana, assim eles resgatam o lugar da Bíblia como juiz em relação a tudo que a igreja faz.
Jesus ratifica a autoridade da Bíblia usando-a como sendo a Palavra de Deus (Mt 4.1-11; Lc 11.18; Jo 10.35, Jo 17.7).
A Bíblia em sendo autoridade, é ela também inerrante. Podemos definir o termo inerrante como “qualidade daquilo que não tem erro; infalível” (ZIBORDI 2011 p. 66). Esta doutrina tem sofrido bastante ataque pelos teólogos liberais e filósofos, pois afirmam eles, que ela contém erros e imprecisões, só que até hoje eles continuam a procura-los. Jesus foi enfático ao afirmar: “... a Escritura Não pode falhar” (Jo 10.35). Um erro só e ela perderia toda a sua infalibilidade, por isso ainda afirma Jesus, “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i nem um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mt 5.18). A Bíblia não é narração de mitologias, de histórias e de ficções, nela não encontramos contradições ou erro, pois passaram os céus e a terra mais esta palavra não passará, não falhará.
Por ter a Bíblia autoridade e ser inerrante, temos como consequência a sua suficiência. Ela contém e é a Palavra de Deus, nela encontramos expressa a vontade de Deus para humanidade. Tudo que o homem precisa e necessita saber está escrito nela: a criação (Gn 1,2), a queda (Gn3), redenção (Is 53.35; 2 Co 5.17), juízo (Jo 12.48; Ap 20.11-15) e glória (1 Jo 3.2). A bíblia é a regra básica de fé e prática, é a bussola de todo homem que nela crê.
Quando se compreende que a Bíblia é a Palavra Deus, que ela tem autoridade, é inerrante e é suficiente, vencemos as nossas reservas intelectuais e os nossos questionamentos frente a ele, restando assim nos deleitarmos em seu conteúdo e aplicarmos ao nosso coração (Tg 1.22).
Otniel Cabral Ramos.
Referências
BOICE, James Montgomery. Fundamentos da fé cristã: um manual de teologia ao alcance de todos. Rio de Janeiro: Centra Gospel, 2011.
FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia sistemática: uma análise histórica, bíblica, e apologética para o contexto atual. São Paulo: Vida Nova, 2007.
SILVA, Antonio Gilberto da. Bibliologia: introdução ao estudo da Bíblia: adaptado para curo pela equipe da EETAD. Campinas: EETAD. 2006.

ZIBORDI.C. S. Teologia Sistemática 1. Paraná: CETADEB. 3 ed. 2011.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Uma palavra aos moços (homens)



Eu escolhi esperar

“Eu escolhi esperar”, foi o que eu li no facebook de um irmão da igreja. Ao ler, eu comecei a meditar nessas palavras e ver nelas um mar de princípios a serem extraídos das Escrituras acerca de relacionamentos entre um homem e uma mulher. No entanto, tais palavras trás consigo uma série de mal entendidos sobre o nosso papel enquanto novas criaturas de Deus. De um lado, é bem verdade, supõe-se, que tais palavras são fruto de um coração temente a Deus e sabedor que Deus é soberano sobre todas as coisas, inclusive sobre a nossa vida amorosa. Aquele que pronuncia tais palavras deve ter aprendido que “a casa e os bens são herança dos pais; porém do SENHOR vem a esposa prudente” (Provérbios 19:14) e deve entregar diariamente a sua ansiedade a Deus, mediante a “oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp 4.6), conforme nos convém fazer. Ora, nesse sentido, tais palavras são louváveis, porque certamente trará paz ao nosso coração e certeza de que aconteça o que acontecer, Deus é o maestro da nossa vida e guiará todas as nossas veredas. Nesse sentido, coisa boa é esperar em Deus!

Esperar é caminhar

Por outro lado, o perigo de tais palavras é que elas não expressam toda a verdade sobre o assunto e, portanto, necessitam de esclarecimento acerca de muita coisa. Elas, por exemplo, podem nos fazer pensar que não temos qualquer responsabilidade em caminhar com nossas próprias pernas, cumprindo o papel que nos convém enquanto filhos de Deus. De um lado elas expressam a verdade de que Deus é absolutamente soberano sobre a nossa vida, contudo, esquece que somos responsáveis pelas nossas atitudes. É aquela velha história de duas verdades claramente ensinadas nas Escrituras, as quais a nossa mente limitada não consegue entender, e que damos o nome de Antinômio. No entanto, apesar de não compreendermos completamente, o que precisamos saber é que ambas as doutrinas são úteis para “ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3:16) e que “as coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos” (Dt 29.29).

Portanto, penso que o que deveríamos escolher é esperar e caminhar. É um paradoxo, eu sei, mas você irá entender. De um lado devo ter meu coração satisfeito com aquilo que Deus tem me dado e viver uma santa expectativa de ver o agir de Deus. Por outro lado, devemos diligentemente observar as Escrituras para cumprir tudo aquilo que Deus espera de nós. E nesse sentido, é claramente inferido das Escrituras que somos responsáveis pelo cônjuge que escolhemos casar e, portanto, devemos escolhê-lo. Ou, por caso, não lestes como Abraão pediu ao seu servo mais digno de confiança procurar uma mulher crente em Deus para ser a esposa de Isaque? Ou por acaso a descrição da mulher virtuosa em Provérbios 31 não está lá para sermos diligentes na procura de uma esposa conforme aquele padrão? 

No entanto, o que vejo é muito homem muito devagar, alias, quase parando. Eles são sem atitude, bobão, mole, sem graça, um perfeito mamão! Não que eles devessem ser como os ímpios, carniceiros, ligeiros demais, e com todas aquelas impiedades que eles praticam, mas ser sem atitude é uma qualidade ruim demais para um homem. Alias, é ruim enquanto solteiro e será ruim sempre. Ou acaso não será ele que guiará e protegerá toda a sua família, incluindo esposas e filhos? 

A responsabilidade do homem

Outra questão ainda muito mais importante do que esta é o preparo que o homem deve ter para um relacionamento. Nós precisamos entender que namoro é coisa séria e que ser o homem do relacionamento não é fácil. Tenho percebido que os casais de namorados entram em um relacionamento, falam em casar (ou pior, nem falam sobre isso) e mal sabem o que a bíblia ensina sobre casamento. Um homem decide rapidamente arrebatar o coração de uma mulher, mas não sabe o que a bíblia ensina sobre o seu dever dentro do relacionamento. São rápidos demais para fazerem o que querem, mas lentos demais para observar diligentemente as suas obrigações. Penso que um homem deveria conhecer muito bem as Escrituras, principalmente aquilo que diz respeito às suas funções dentro do casamento, antes de sequer pensar em convidar uma mulher para um relacionamento. Nós precisamos meditar muito sobre o que significa amar uma mulher como Cristo amou a igreja e estarmos dispostos a lutar, clamar e viver uma vida de arrependimento diário para sermos servos de Cristo nessa área. Precisamos aprender a trata-la como parte mais frágil e entendermos que seremos provedores financeiro e espiritual de nosso lar. Além de saber muito bem o que a bíblia fala sobre contato físico antes do casamento e sexo depois deste. E não se iluda, o que você entende sobre casamento influenciará muito o seu jeito de agir antes dele.

Portanto, o conselho que dou, primeiramente, é meditar muito nas Escrituras. Certamente há nela muitas coisas que precisamos aprender e que dizem respeito diretamente a nós enquanto homens. Depois, quando estivermos preparados, devemos procurar uma boa esposa, deixarmos de ser mole e cortejá-la, namorar, e casar.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Chamado para Apóstolo - Martyn Lloyd-Jones


“...Servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho...” (Romanos 1:1)

Temos de entender bem estas duas palavras. Isso por causa do contexto em que vivemos hoje. Há muita confusão na Igreja de hoje.

O que é um apóstolo? Paulo, no sentido geral era um servo de Cristo, mas num sentido especial era um apóstolo.

Por que diz que foi “chamado” para ser apóstolo? Porque Paulo se preocupa logo no início desta Epístola em dizer que foi chamado para ser apóstolo? Bem, muitas pessoas naquela época estavam questionando Paulo como apóstolo, eram seus opositores e assim Paulo era difamado. Era considerado um falso apóstolo. Estava apenas representando. Diziam que ele nunca havia estado com Jesus. Mas Paulo diz claramente e com vigor que era tão apóstolo como os doze.

O que é um apóstolo? É um ofício muito especial e peculiar. Uma prova disto é que Jesus chamou os 12 discípulos (Mt 10) e “...deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para expulsarem, e para curarem toda enfermidade e todo mal”. No v.1, Mateus os chama de discípulos e no versículo 2 muda para apóstolos. Por que isso? Porque nem todo discípulo era apóstolo. Só alguns discípulos tornaram-se apóstolos.

Provamos isso ao ler Lucas 6:12-13. “...chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze dentre eles, aos quias deu também o nome de apóstolos”. Somente doze dos discípulos foram nomeados e escolhidos.

A palavra “apóstolo” vista nos dicionários é alguém “enviado”. Às vezes este termo é usado com este significado no Novo Testamento, porém é mais que isto. O termo diz que é um enviado com uma missão a quem são dados poderes para cumpri-la. Na Bíblia, “apóstolo” é alguém escolhido e enviado a uma missão especial como representante autorizado de quem o envia.

Quais as marcas e sinais de um apóstolo?

1. Teria que ser testemunha do Senhor ressurreto.
Em Atos vemos os apóstolos reunidos no cenáculo conversando sobre quem substituiria a Judas Escariotes. No cap. 1:21-22 lemos: “É necessário pois, que, dos homens que nos acompanham todo o tempo que o Senhor Jesus andou entre nós , começando no batismo de João, até ao dia em que dentre vós foi levado às alturas, um destes se torne testemunha conosco da sua ressurreição”.
Paulo diz que viu Jesus ressurreto: “Não sou, porventura livre? Não sou apóstolo? Não vi a Jesus, Nosso Senhor?” (I Co 9:1). Era ele dizendo que vira Jesus ressurreto no caminho de Damasco e era testemunha disto.

2. O apóstolo tinha de ter um chamado especial para exercer este ofício. Ele foi chamado pelo próprio Senhor.

3. Era alguém a quem foi dada autoridade e comissão de operar milagres. Isso fica bem claro em II Co 12:12 - “Pois as credenciais do meu apostolado foram manifestados no meio de vós com toda a persistência, por sinais prodígios e poderes miraculosos”. Era como se ele dissesse: “Como vocês podem questionar meu ofício de apóstolo se as minhas credenciais foram apresentadas claramente entre vós”. Sinais, milagres e atos maravilhosos.

4. Os apóstolos tinham poder para dar e comunicar dons espirituais a outros; podiam transmitir o Espírito Santo pela imposição das mãos (Atos 8:17). Isso significava sinal de autoridade da sua comissão.

5. O apóstolo tinha autoridade para ensinar e definir a doutrina firmando as pessoas na verdade.

6. Tiveram autoridade para estabelecer a ordem nas igrejas. Nomeavam os presbíteros, decidiam questões disciplinares e questões doutrinárias ( ensino e doutrina. Falavam com autoridade do próprio Jesus: “...mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”(Jo 14:26).

Tudo isso tem conseqüências importantes:
a) Falavam com autoridade vinda de Deus.
b) Eram representantes de Cristo e as pessoas os ouviam como quem falava da parte de Deus. Por isso Paulo diz aos crentes da igreja de Tessalônica: “...é que tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens e, sim, como em verdade é a palavra de Deus...”(I Ts 2:13). Paulo está lembrando que eles não estavam ouvindo (lendo) palavras de homens. Deus dera autoridade para edificar não só aos crentes de Tessalônica, mas de Corinto: “...a respeito da nossa autoridade, a qual o Senhor nos conferiu para edificação...” (II Co 10:8). Ou ainda: “Portanto, escrevo estas cousas, estando ausente, para que, estando presente, não venha a usar de rigor segundo a autoridade que o Senhor me conferiu para edificação...” (II Co 13:10). Era uma autoridade excepcional que somente Deus podia dar; uma palavra inspirada, infalível.

Uma prova disso se vê quando Pedro diz: “...como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada...nas quais há certas cousas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras”... (outras Escrituras) - II Pedro 3:16. Aqui Pedro está igualando o que Paulo escreveu às demais Escrituras do VT. Pedro está dizendo que Paulo escreveu Bíblia.

As palavras escritas pelos apóstolos têm autoridade divina - Os apóstolos foram comissionados pelo Senhor Jesus Cristo e foram guiados e dirigidos pelo Espírito Santo. São palavras divinamente inspiradas. Lembremo-nos que foi Jesus que deu autoridade aos seus servos, os apóstolos, como Paulo. Se alguém disser que só crê no que Jesus disse, responda dizendo que esta afirmação é contraditória pois o próprio Jesus que deu autoridade ao Seu servo, aos apóstolos que reconheceram, como Pedro, que Paulo escrevera de forma tão inspirada como o VT.

Quando a igreja primitiva chegou a definir e determinar o Cânon do Novo Testamento, pois havia muitos escritos cristãos, o Espírito Santo levou a Igreja a decidir desta maneira: ela dizia que, se um documento que pretendesse ser um Evangelho ou Epístola, e não pudesse ser rastreado direta ou indiretamente, até as suas raízes num apóstolo, alguém com autoridade apostólica, ele não devia ser incluído. A prova era a apostolicidade, o caráter apostólico na determinação do Cânon do Novo Testamento. Por que? Porque um apóstolo é um homem dotado de autoridade única, autoridade de fazer doutrina, de fazer Bíblia. O Senhor guiou a Paulo pelo Seu Espírito Santo, o Senhor o chamou para ser apóstolo.

Por que Paulo se diz “chamado para apóstolo” e logo no início da Epístola? Sem dúvida Paulo queria deixar bem claro para os crentes de Roma que ele era verdadeiramente um apóstolo. Como seria bom que hoje, os que se dizem apóstolos mostrassem as credenciais que Paulo mostrou. Sem dúvida não teriam estas credenciais e por isso não são Apóstolos. Na carta que ele escreve à igreja da Galácia, Paulo é mais enfâtico ainda quando diz: “Paulo, apóstolo, não da parte de homens, nem por intermédio de homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos...” (Gl. 1:1).

Paulo aqui está dizendo àqueles crentes que não pensem de forma errada que ele mesmo havia se declarado apóstolo como hoje se faz. Não! Os falsos mestres é que fazem isso. Ele diz claramente que é apóstolo, “não da parte de homens, nem por intermédio de homens, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai”. Paulo foi “chamado”, escolhido pelo ato soberano de Jesus Cristo. Havia sido chamado da mesma forma que os doze e tinha a mesma autoridade. Paulo diz isso de si mesmo.

Há algo admirável aqui. O Senhor escolhe um homem para apóstolo, quando antes este mesmo homem tinha sido um dos seus maiores inimigos. Um homem com quem Jesus não estivera durante Seu período aqui no mundo, quando encarnado; alguém que não ouvira Seu ensino, não vira Seus milagres, que não O vira na cruz, que não estivera com os doze no cenáculo quando lhes apareceu após a ressurreição; era um blasfemador, um perseguidor do cristianismo. Como pode ser isto? Mas o Senhor se revela a Paulo e o chama, exatamente como chamou aos outros. Lemos em 1Co 15:7 - “Depois, foi visto por Tiago, mais tarde, por todos os apóstolos e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo”. Ele está dizendo como Jesus lhe aparecera e o comissionara para ser apóstolo, mesmo depois do Pentecoste, mesmo depois do Senhor fazer várias revelações a pessoas especialmente escolhidas. Paulo vai a Damasco “respirando ameaças e mortes” e o Senhor aparece e o comissiona dizendo: “Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio para lhes abrir os olhos e convertê-los das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (Atos 26:16-18). Ele mesmo diz que não foi “desobediente à visão celestial” que teve. Um comissão de proclamar a verdade de forma autoritativa.

7. Não podemos esquecer desta outra marca do apostolado: A verdade lhe foi ensinada pessoalmente pelo Senhor. Em Gálatas 1:11-12 Paulo diz: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem; porque eu não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo”. Este evangelho não foi ensinado por outra pessoa,; se fosse ele não seria apóstolo. Ele ainda diz nesta epístola aos Gálatas que foi separado desde o ventre materno pela graça de Deus, quando revelou Jesus para que O pregasse entre os gentios e para isso não consultou a “carne e sangue”, nem subiu à Jerusalém para os que já eram apóstolos antes dele mas partiu para a Arábia e depois voltou para Damasco. Três anos depois vai à Jerusalém para avistar-se com Pedro (Gl.1:15-18). Ele vaia a Pedro, mas não para aprender com Pedro pois era igual aos demais apóstolos pois a verdade lhe fora dada pessoalmente por Cristo.

Por que isto é importante? Porque esta é uma credencial apostólica: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei...” (Co.11:23). Recebe diretamente de Jesus. Ele se iguala aos demais apóstolos nisso: “Porque eu sou o menor dos apóstolos....mas pela graça de Deus sou o que sou...portanto, seja eu, ou sejam eles, assim pregamos e assim crestes” (I Co 15:9-11). Ele foi tão apóstolo como Pedro. Ao comissioná-lo o Senhor o chamou para ir aos gentios: “Dirijo-me a vós outros, que sois gentios! Visto, pois, que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério” (Rm 11:13).

O que Paulo deseja, é que os crentes de Roma compreendam que ele é realmente apóstolo de fato e de direito. Por que esta ênfase? Porque muitos naquela época estavam se dizendo apóstolos. Em Apocalipse 2:2: “...puseste à prova os que a si mesmo se declaram apóstolos e não são, e os achastes mentirosos”. Isto ér muito prático pois estamos vivendo uma época em que muitos estão se dizendo apóstolos ou que são da sucessão apostólica. Isso não existe. A Igreja Católica não só afirma que o Papa é o vigário de Cristo, como também faz outra reivindicação: da sucessão apostólica. Mas não só a Igreja Católica, outros ramos ditos cristãos reivindicam esta sucessão apóstólica e isso é um grande argumento para terem bispos, terem um episcopado. É verdade que muitos que acreditam em bispos não aceitam a sucessão apostólica. Mas os Bispos da Alta Igreja Anglicana e Católicos costumam dizer que não existe igreja sem bispos, que isto é a essência da igreja.

Esta foi uma grande questão no século XVII e trouxe até divisão. Os bispos se diziam e ainda se dizem sucessores diretos dos apóstolos, mas “apóstolo’ é só aquele que viu e deu testemunho de Cristo ressurreto. A base para este pensamento não é bíblica e sim fruto da tradição. Isso é impossível. Além do mais Paulo diz que a Igreja Cristã é edificada “...sobre o fundamento dos apóstolos é profetas...” (Ef 2:20). Com certeza não continuamos a construir qualquer fundamento ou alicerce, pois é algo do começo da igreja. Esse alicerce que foi fincado sobre os apóstolos e profetas não continua sendo edificado. Desde que o Cânon se completou, não há mais necessidade de apóstolos. Não esqueçamos de que o ensino apostólico era autoritativo. Os apóstolos falavam como homens enviados por Deus de maneira tão inspirada como os profetas do Velho Testamento.

Por isso, ao termos as Escrituras do Novo testamento — O Cânon do NT — já temos todo ensino autorizado e não precisamos mais de apóstolos. Quando o Cânon não estava completo, os apóstolos e aqueles que estavam ligados a eles tinham uma função importantíssima: instruir a igreja que não tinha Bíblia completa. Uma vez completo o Cânon os apóstolos não mais existem.

Outra coisa interessante é que Paulo em I Co 1:1 diz: “Paulo, chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo, e o irmão Sóstenes”. Sóstenes aqui é apenas citado como irmão. Não estaria Paulo sendo muito egoísta? Por que ele não chamou “eu e Sóstenes?”. Paulo sabia que ele era apóstolo e que Sóstenes, apezar de excelente e santo homem, não era apóstolo. Por isso, a expressão; “e o irmão Sóstenes”. A mesma coisa acontece com Timóteo, quando Paulo o trata como irmão mas diz antes: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por vontade de Deus, e o irmão Timóteo” (Cl 1:1). Paulo não diz: “Timóteo é o homem que vem após mim, ele vai ser apóstolo por sucessão apostólica e assim pelos séculos afora”. Timóteo era apenas irmão e Paulo apóstolo, mas quando vemos em Fl.1:1 - “Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos ...”. Quando Paulo se descreve como servo, ele e Timóteo são iguais, pois os dois são servos no mesmo nível. Mas quanto ser apóstolo, há uma diferença: Paulo o é e Timóteo não.

Toda pretensão de ser apóstolo hoje vai de encontro com o ensino do Novo Testamento acerca do sentido do termo. Quando pulamos frases como esta que mostra que Paulo foi chamado para ser apóstolo como um ofício especial que não se repete, percebemos o quanto é grave negligenciar a doutrina e caímos nos argumentos falsos dos falsos mestres.

Fonte: http://www.monergismo.com/textos/comentarios/romanos1_lloyd.htm

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O arrependimento de Deus - Josivaldo de França Pereira

A palavra hebraica para arrependimento é noham. É usada para indicar tanto o arrependimento humano quanto o arrependimento de Deus no Antigo Testamento.
É do conhecimento de todos que a Bíblia fala do arrependimento de Deus. Mas como o arrependimento de Deus deve ser entendido? Será que o arrependimento humano serve de parâmetro para o arrependimento de Deus? O arrependimento de Deus é o mesmo dos homens? Deus realmente se arrepende?

Antes de responder a estas perguntas, é preciso observar, primeiramente, que a Bíblia trata do arrependimento de Deus nas seguintes passagens: 

Gênesis 6.5-7 (Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração; então se arrependeu o SENHOR de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração. Disse o SENHOR: Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis, e as aves dos céus; porque me arrependo de os haver feito); 

Êxodo 32. 12 (Por que hão de dizer os egípcios: Com maus intentos os tirou, para matá-los nos montes e para consumi-los da face da terra? Torna-te do furor da tua ira e arrepende-te deste mal contra o teu povo);

I Samuel 15.10,11,35 (Então, veio a palavra do SENHOR a Samuel, dizendo: Arrependo-me de haver constituído Saul rei, porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras...O SENHOR se arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel);
2 Samuel 24.16 (Estendendo, pois, o Anjo do SENHOR a mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrependeu-se o SENHOR do mal e disse ao Anjo que fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a mão...);
Jeremias 18.7,8 (No momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe);
Joel 2.13 (Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal);
Jonas 3.10 (Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez).

Como entender estas passagens à luz de um contexto bíblico mais amplo? Cremos que o Dr. James Packer está correto quando diz: "A referência em cada caso é sobre a anulação de um prévio tratamento dispensado a certos homens, como conseqüência da reação deles a esse tratamento. Mas não há sugestão de que essa reação não tenha sido prevista, ou que Deus tenha sido tomado de surpresa, e que não estivesse estabelecida em seu plano eterno. Não há mudança alguma em seu propósito eterno quando Ele começa a agir em relação a um homem de maneira diferente".

Além dos textos bíblicos acima, outras passagens são categóricas em afirmar que Deus nunca se arrepende:

Números 23.19 (Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?);

I Samuel 15.29 (Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa);
Oséias 13.14 (...Meus olhos não vêem em mim arrependimento algum).
Não existe contradição alguma entre os textos que dizem que Deus se arrepende e os que afirmam de outra maneira. Pelo contrário, essas três últimas passagens bíblicas estabelecem definitivamente que o arrependimento de Deus nunca deve ser entendido como o arrependimento humano. E por que não? Simplesmente porque o arrependimento do homem é causado pelo reconhecimento de uma atitude precipitada, como resultado da ignorância do que havia de acontecer. Nós nos arrependemos porque erramos. No caso de Deus é extremamente diferente. Ele jamais comete erros. Em Deus "não pode existir variação, ou sombra de mudança" (Tg 1.17).

Quando a Bíblia fala de Deus se arrependendo e mudando sua intenção para com o homem, "evidentemente é só a maneira humana de falar. Na realidade a mudança não é em Deus mas no homem e nas relações do homem com Ele" (L. Berkhof). Pink complementa: "Quando fala de si mesmo, Deus freqüentemente acomoda a Sua linguagem às nossas capacidades limitadas. Ele Se descreve a si mesmo como revestido de membros corporais como olhos, ouvidos, mãos, etc. Fala de Si como tendo despertado (Salmo 78.65) e como ‘madrugando’ (Jeremias 7.13), apesar de que Ele não cochila nem dorme. Quando Ele estabelece uma mudança em Seu procedimento para com os homens, descreve a Sua linha de conduta em termos de arrepender-se". Em suma, o arrependimento de Deus não ocorre por causa de qualquer mudança nEle, mas por causa de nossa mudança para com Ele.

Fonte: Monergismo

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Não se contente com sua pregação medíocre - Paul Tripp

Quero examinar um lugar onde há demasiada mediocridade na igreja de Jesus Cristo: a pregação. Por cerca de 40 finais de semana por ano eu estou com alguma parte do corpo de Cristo em algum lugar do mundo. Muitas vezes, não sou capaz de sair no sábado e, por isso, vou assistir ao culto da congregação local (quando não estou programado para pregar). O que estou prestes a dizer provavelmente vai me encrencar, mas estou convencido de que precisa ser dito. Estou triste e angustiado por dizer isso, mas já estou cansado de ouvir palestras teológicas chatas e mal preparadas, dadas por pregadores não inspirados, lendo manuscritos, e tudo isso feito em nome da pregação bíblica. 

Não estou surpreso que as mentes das pessoas divaguem. Eu não estou surpreso que as pessoas têm lutado para se manter atentas e despertas. Estou surpreso que mais não têm. Eles têm sido ensinados por alguém que não trouxe as armas apropriadas para o púlpito, a fim de lutar por eles e com eles. A pregação é mais do que regurgitar seu comentário exegético favorito, reformular os sermões de seus pregadores favoritos, ou remodelar as notas de uma de suas aulas favoritas do seminário. É trazer as verdades transformadoras do Evangelho de Jesus Cristo de uma passagem que foi devidamente compreendida, convincentemente e praticamente aplicada, e entregue com a ternura envolvente e a paixão de uma pessoa que foi quebrantada e restaurada pelas verdades que ela irá comunicar. Você simplesmente não pode fazer isso sem a devida preparação, meditação, confissão e adoração.
Simplesmente não dá para você começar a pensar em uma passagem pela primeira vez no sábado à tarde ou à noite e dar o tipo de atenção que ela precisa. Você não será capaz de compreender a passagem, de ser pessoalmente afetado e de estar preparado para dá-la aos outros de uma forma que contribua à contínua transformação deles. Como pastores, temos que lutar pela santidade da pregação, ou ninguém mais o fará. Temos que exigir que os afazeres do nosso trabalho permitam o tempo necessário para se preparar bem. Temos que arranjar tempo em nossas programações para fazer o que for necessário para cada um de nós, considerando nossos dons e nossa maturidade, estejamos preparados como porta-vozes para nosso Rei Salvador. Não podemos acomodar com padrões que denigram a pregação e degradem a nossa capacidade de representar um Deus glorioso de uma graça gloriosa. Não podemos nos permitir estarmos muito ocupados e distraídos. Não podemos estabelecer padrões baixos para nós mesmos e para aqueles a quem servimos. Não podemos nos desculpar e acomodar. Não podemos nos permitir espremer mil reais em preparação em poucos centavos de tempo. Não devemos perder de vista Aquele que é Excelente e a excelente graça que fomos chamados para representar. Não podemos, porque estamos despreparados, deixar Seu esplendor parecer chato e sua maravilhosa graça, ordinária.
A cultura e disciplina que envolve a nossa pregação sempre revelam o verdadeiro caráter de nossos corações. É exatamente aí que a confissão e o arrependimento precisam acontecer. Não podemos culpar as exigências de nosso trabalho ou nossa ocupação. Não podemos apontar o dedo para as coisas inesperadas que aparecem no calendário de cada pastor. Não podemos culpar as demandas da família. Temos que humildemente confessar que a nossa pregação é medíocre e que não está subindo ao patamar para o qual fomos chamados. Nós somos o problema. O problema é que perdemos a nossa admiração, e com essa perda nos acomodamos em apresentar a excelência de Deus de uma forma que não é nada excelente. Qualquer forma de mediocridade no ministério é sempre um problema do coração. Se isso o descreve, então corra ao seu Salvador em humilde confissão e abrace a graça que tem o poder de resgatá-lo de si mesmo, e, ao fazer isso, restaurar a sua admiração.

Fonte: Blog Fiel

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Quando Jogamos Pérolas aos Porcos - John Stott

Depois que Deus fez a promessa a Abraão, ele deu a Lei a Moisés. Por quê? Simplesmente porque ele tinha de fazer as coisas piorarem antes que pudesse melhorá-las. A Lei expôs o pecado, afrontou o pecado e o condenou. O propósito da Lei era, por assim dizer, tirar a tampa da respeitabilidade do homem e expor o que ele realmente é abaixo da superfície — pecador, rebelde, culpado, sob o julgamento de Deus e sem esperança para salvar-se a si mesmo.

Hoje, deve-se permitir que a Lei faça a tarefa que Deus lhe confiou. Uma das grandes falhas da Igreja contemporânea é a tendência de abrandar o pecado e o julgamento. De maneira semelhante aos falsos profetas, nós tratamos da ferida do povo de Deus "... como se não fosse grave" (Jr 6.14; 8.11). Veja como Dietrich Bonhoeffer expõe essa ideia: "É apenas quando alguém se submete à Lei que ele pode falar da graça... Não acho que seja cristão querer chegar ao NT de forma muito rápida e direta". Jamais devemos ignorar a Lei e ir direto ao evangelho. Fazer isso é contradizer o plano de Deus na história bíblica.

Essa não é a razão pela qual o evangelho não é apreciado hoje em dia? Alguns o ignoram, outros o ridicularizam. Então, em nosso evangelismo moderno, jogamos pérolas aos porcos (e a pérola mais cara é o evangelho). As pessoas não conseguem ver a beleza da pérola, porque não têm o conceito da imundícia do chiqueiro. Nenhum homem aceita o evangelho antes que a Lei, primeiro, revele a esse homem sua própria natureza e essência. É apenas na escuridão profunda do céu noturno que as estrelas começam a aparecer, bem como também é apenas no pano de fundo escuro do pecado e do julgamento que o evangelho brilha.

Não admitimos nossa necessidade de abraçar o evangelho, para que este cure nossas feridas, antes de a Lei nos ter injuriado e derrotado. Jamais ansiaremos para que Cristo nos liberte antes de a Lei nos prender e aprisionar. Jamais buscaremos Cristo para ser justificados e viver, antes de a Lei nos condenar e matar. Jamais acreditaremos em Jesus, antes de a Lei nos levar ao desespero. Jamais nos voltaremos para o evangelho, para que este nos leve ao céu, antes de a Lei nos rebaixar até o inferno.

John Stott

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Algumas vantagens de pensar na glória de Cristo

Algumas das vantagens que surgem de pensarmos constantemente na glória de Cristo pela fé.


1. Seremos moldados por Deus para o céu. Muitos pensam que já estão suficientemente preparados para a glória, como se eles a pudessem alcançar. Mas não sabem o que isso significa. Não há o menor prazer na música para um surdo, nem em belas cores para um cego. Da mesma forma, o céu não seria um lugar de prezar para as pessoas que não tivessem sido preparadas para ele nesta vida pelo Espírito. O apóstolo diz "... graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz" (Colossenses 1.12). A vontade de Deus é que devemos conhecer as primícias da glória aqui e a sua plenitude no futuro. Contudo, somos feitos capazes de receber o conhecimento dessa gloria pela atividade espiritual da fé. O nosso conhecimento atual da glória é nossa preparação para a glória futura.

2. Uma visão verdadeira da glória de Cristo tem o poder de mudar-nos até que nos ternemos semelhantes a Cristo. (2 Coríntios 3.38)

3. Uma meditação constante sobre a glória de Cristo dará descanso e satisfação às nossas almas. Trará paz às nossas almas que tantas vezes estão cheias de medos e pensamentos perturbadores. "Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do espírito é vida e paz" (Romanos 8.6). As coisas desta vida nada são quando comparadas com o grande valor e beleza de Cristo, como Paulo disse: "E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, e as considero como esterco para que possa ganhar a Cristo" (Filipenses 3.8)

4. O conhecimento da glória de Cristo é a fonte da nossa bem-aventurança eterna. Vendo-O como Ele é, seremos feitos em semelhança a Ele. (veja 1 Tessalonicenses 4.17; João 17.24; 1 João 3.2)

Deus é tão grandioso que não podemos vê-lo com os nossos olhos naturais; e mesmo quando estivermos no céu não poderemos entender todas as coisas sobre Ele, por que Ele é infinito. A visão abençoada que teremos lá de Deus sempre será "na face de Jesus Cristo" (2 Coríntios 4.6) e isto será o suficiente para nos encher de paz e uma sensação de descanso e glória.

No entanto, mesmo nesta vida os verdadeiros crentes às vezes têm um antegozo da bem-aventurança proveniente de conhecer a Cristo. As Escrituras e o Espírito Santo lhes apresentam a glória de Deus, que brilha em Cristo, de tal forma que encha suas vidas com indescritível alegria e paz. Estas experiências não são frequentes mas isso é devido ao nosso estado doentio e falta de luz espiritual. A glória resplandeceria em nossas almas com maior frequencial se fôssemos diligentes em nossa responsabilidade de meditar na glória de Cristo.

John Owen - A glória de Cristo

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Quanto vale sua palavra?

Existem alguns pontos da teologia que são bem pouco apresentados. Quantas pregações você já ouviu sobre a gula, sobre economia, ou sobre como guardar o Dia do Senhor? Mas essas coisas estão na Bíblia e precisam ser ensinadas.

Hoje eu vim falar de um tema também pouco comentado, sobre a palavra. Não, não é sobre a palavra de Deus. É sobre a sua palavra mesmo. Você já parou para refletir sobre o que a Escritura diz sobre a sua palavra leitor? Vamos tentar algumas reflexões rápidas para deixar você pensando sobre o assunto, e que Deus trabalhe em sua alma para não mais cair em alguns pecados que passam despercebidos, mas que não deixaram de ser pecado.

Eclesiastes 5.2 e 4: Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante da Deus; porque Deus está nos céus, e tu, na terra; sejam poucas as tuas palavras. Quando a Deus fizeres algum  voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes.

Salmo 15.1 e 4b: Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? O que jura com dano próprio e não se retrata.

Aqui vemos um claro princípio Bíblico: Se disse, então faça.
E aqui eu pergunto, você tem cumprido aquilo que você se compromete a fazer?
Imagino que você possa estar arrumando aquela bela desculpa nesse momento e pensando: Não, mas essas passagens se referem a juramentos formais. Eu não costumo prometer nada.

Jesus no sermão do monte dá uma melhor explicação para muitos princípios espirituais do Velho Testamento que não são bem compreendidos. E esse é um dos pontos mencionados.

Mateus 5.37: Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que passar disso vem do maligno.

Tendo uma melhor compressão sobre o que é o sermão do monte, e levando em conta o contexto dessa passagem, uma das coisas que o Senhor Jesus ensina aqui é: "Você não precisa e não deve fazer juramentos a Deus ou aos homens, pois cada palavra sua, como meu seguidor, já deve ter o peso de um juramento".


Em muitas partes de Escritura nós vemos a importância que Deus dá a Palavra dEle. E não foi Ele quem disse: "Sede santos, porque eu sou santo." ? Não foi pela Palavra dEle que tudo foi criando? Ele falou e tudo se fez. Não é pela Palavra que Ele ensina e de onde podemos conhecer seus maravilhosos atributos. Ao analisar o que a Escritura ensina sobre isso você vai chegar a uma conclusão:
 Aquilo que Deus fala é aquilo que Ele é. Assim como aquilo que você fala é aquilo que você é. O pronunciar transmite a própria essência do ser.
Lucas 6.45b: Porque a boca fala do que está cheio o coração.

Quero que você reflita sobre algumas implicações práticas dessa doutrina, postas em ordem lógica: Pense, valorize, utilize para o bem.

1. Como você tem lidado com sua sua própria palavra? Você se apressa a dizer coisas e não as cumpre? "Amanhã começo a estudar", "Vou fazer um regime", "Segunda-feira entro na academia", "Vou orar por você esse mês todo", "Vou acordar cedo", "Vou ler 3 capítulos da Bíblia todos os dias"...
Se você tem falhado em cumprir sua palavra. Não importa com que boa intenção você disse essas coisas, você tem pecado contra o Senhor.
Então primeiro de tudo:

Preste mais atenção no que fala.

2. Você descumpre tanto o que você fala, em tantas pequenas coisas no dia a dia: "Eu ligo para você mais tarde", "Hoje de noite agente sai"...
E você vive rodeado de pessoas que descumprem tanto a suas palavras...
Que você simplesmente tem dificuldade em confiar nas pessoas. E consequência disso, você acaba por confiar menos naquilo que o próprio Deus fala. E não se engane, nossa relação com Deus é um reflexo de nossa relação com as pessoas. Basta uma lida rápida em 1 João para entender isso.
Você gosta de conviver com pessoas que constantemente dizem que vão fazer coisas e não fazem? Por que alguém gostaria de conviver com você se você faz o mesmo?
Em segundo:

Comece a valorizar sua própria palavra. Faça tudo que diz, sem exceções.

E aqui o Salmo 15 é um tapa na cara ao dizer: Com dano próprio.
Ou seja. Se o cristão fala que vai fazer algo, ou que não vai fazer algo, ainda que consequências negativas apareçam, ele deve cumprir sua palavra.



3. Tiago no capítulo 3 fala que aquele que consegue não tropeça no falar é capaz de refrear o corpo todo. E também compara a língua como o leme de um barco, que sendo pequeno conduz todo o barco que é grande.
Você já deve ter escutado esse texto aplicado a coisas como "Não fale do seu irmão, deixe de fofoca". Mas penso que outra coisa, talvez mais importante, estavam na cabeça de Tiago ao escrever essa passagem. Veja a comparação que ele também faz com o leme. Em resumo o ensino é:

Se você cumpre aquilo que diz, então lute contra o pecado.

E é bem simples. Depois que você já tem cuidado naquilo que fala, e que você já tem em alta conta sua própria palavra, decida e diga que vai fazer alguma coisa. Comece pequeno e vá aumentando: "Senhor, não vou falar mal de ninguém por uma semana.", "Agora por duas semanas Senhor", "Esse mês todo vou ler a 3 capítulos da Bíblia por dia, ainda que eu vá dormir mais tarde cansado", "Não vou mais cultivar esse relacionamento que não agrada ao Senhor, ainda que a pessoa fique com raiva de mim", "Vou evangelizar uma pessoa por dia até o final do ano".

Use sua palavra para lutar contra o pecado (dominar todo o corpo) e para se manter em dia com na obra de Deus. Mas antes tome cuidado no que fala e eleve o valor de sua palavra, assim como Deus valoriza a dEle e cumpre o que diz:

Jeremias 1.12: Disse-me o Senhor: Viste bem, porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.

Como animo final, mantenha sempre em mente: Deus vai lhe cobrar pelo que você fala.

Uian Sol

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Reflexão sobre o tempo

O tempo é muito precioso porque, quando passa, não pode ser recuperado. Os homens possuem muitas cosias que, se perdidas, não lhe farão falta. Se alguém perde algo cujo valor desconhece ou sem saber o quanto lhe era necessário, pode, muitas vezes, recuperá-lo, com menor ou maior esforço e pequeno ou grande custo. Se um homem é preterido num negócio, ou se tiver feito uma transação de que se arrependa, geralmente, pode obter uma exoneração ou dispensa e recobrar aquilo que perdeu. Mas não é assim com respeito ao tempo - uma vez perdido, é perdido para sempre: nenhum esforço, nenhum preço o recupera. Por mais que nos arrependamos de haver deixado passar o tempo, sem remi-lo quando tivemos oportunidade de fazê-lo, nada conseguiremos. Toda parcela do tempo é concedida sucessivamente para que escolhamos assumi-la ou não. Não há espera: o tempo não para e aguarda para ver se cumpriremos ou não a sua oferta. Se recusarmos, ele é imediatamente retirado e nunca mais é oferecido. Quanto à parcela de tempo que se foi, por mais que tenhamos sido negligentes em melhorá-lo, já estará fora de nossas posses, fora de nosso alcance.

Se vivemos cinquenta, sessenta ou setenta anos e não aproveitamos o nosso tempo, agora isso não pode ser remediado: foi embora eternamente, só nos resta remir o pouco que nos resta. Assim, se a pessoa tiver desperdiçado toda a vida e aproveitado somente uma parte, uma vez que a morte sobrevenha não haverá possibilidade de restauração ou de outro espaço de preparação para a eternidade. Se uma pessoa perder todos os seus bens terrenos e achar-se falida, ainda será possível se recuperar da perda. Poderá conquistar outra situação tão boa quanto a primeira. Mas, quando seu tempo de vida se vai, é impossível que tempo igual seja obtido. Toda oportunidade para obter o bem eterno perdeu-se completa e eternamente.

Jonathan Edwards - A busca da santidade

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Abrindo mão do que é legítimo

O apóstolo [Paulo] não somente abriu mão de coisas pequenas, mas passou por grandes dificuldades ao deixar de usufruir coisas que, em si, seriam legítimas. Custou-lhe bastante esforço físico ter que trabalhar no ministério para seu próprio sustento. Mas ele o fez, voluntariamente, trabalhando com as próprias mãos. Como ele disse, embora fosse livre de todos os homens, no entanto, fez-se servo de todos para que obtive-se maiores resultados. Que isto sirva para induzir as pessoas a considerarem se as próprias desculpas para todas as liberdades a que se permitem são condizentes com seu cristianismo.

Talvez sejam legítimas as coisas que desejam, talvez não sejam proibidas. Mas ninguém poderá negar que, em dadas circunstâncias e condições, talvez se inclinem para o mal, expendo o indivíduo à tentação, ferindo a crença na fé e servindo de pedra de tropeço para outros ou, como disse o apóstolo, causando ofensa a outras pessoas. Tais pessoas firmam-se em certas práticas, alegando não serem em si mesmos contra a lei, e não escutam os conselhos para evitá-las. Julgam ser desarrazoado que tenham de se tolher tão estritamente, isto é, que não possam tomar, aqui e ali, de certas liberdades, mas que, antes tenham de ser mais rígidas e precisas do que as pessoas comuns.

De fato, perguntam: "Não será irracional que me negue coisas legítimas, como comer carne, só para ceder à consciência de alguns fracos cujos escrúpulos são exagerados? Por que eu deveria me negar o conforto do casamento, que o próprio Cristo ordenou a seus ministros, só para evitar objeções de pessoas desarrazoadas?" O apóstolo Paulo, contudo, tinha outro espírito. Ele visava a promover o interesse da fé e o bem da igreja, por quaisquer meios necessários. Para isso, preferiu abrir mão dos confortos e prazeres comuns da vida, a ver a fé naufragar.

Jonathan Edwards - A busca da santidade

domingo, 22 de julho de 2012

Está sem tempo?

Professamos ser cristãos, tal como Paulo, e Cristo é digno de que lhe sirvamos como Paulo serviu. Todavia, são tão poucos e fracos os nossos esforços para com Deus e Cristo e para com nossos irmãos! Embora muitos de nós nos ocupemos muito, nosso labor e nossa força são gastos... com o que é mesmo que gastamos nosso tempo?

Pensemos em pouco sobre nossa maneira de aplicar o tempo. Lutamos para prover para nós mesmos e nossas famílias, para nos mantermos bem e fazer com que nossa situação seja boa diante dos homens. Mas será que foi para isso que viemos ao mundo? Aquele que nos criou e nos deu capacidade mental e força física, dando-nos tempo e talentos, no-los deu principalmente para serem gastos assim ou para servir-lhe? Muitos anos pesam sobre alguns de nós: para o que é que temos vivido e em que temos empenhado o nosso tempo? Quanto é que o mundo tem melhorando devido ao nosso emprenho? Estaríamos aqui apenas parar comer e beber, devorando o bem que a terra  produz? Muitas bênçãos da providência nos têm sido conferidas, mas onde está o bem que fizemos, em retribuição? Quanto o mundo teria perdido, se não tivéssemos nascido, ou se tivéssemos morrido ainda crianças?

Tais reflexões deveriam preocupar aqueles que se dizem cristãos. Certamente Deus não planta videiras em sua vinha por outra razão, senão pelas frutos que espera serem produzidos. Não contrata trabalhadores para a vinha por razão outra que não a realização do trabalho. Os que vivem apenas para si vivem em vão e, por fim, serão cortado como galhos secos que impedem a produção. Que daqui para frente, o exemplo de Paulo nos torne mais diligentes na prática do bem. Pessoas que pouco bem produzem estão prontas a se desculparem, dizendo que Deus não imprimiu sucesso aos seus esforços. Entretanto, não deveríamos indagar se não fomos bem sucedidos porque não nos esforçamos? Quando Deus vê alguém plenamente envolvido, com toda honestidade, perseverante na fidelidade, certamente será propício e lhe dará alguma medida de realização. Considere como Deus tornou o trabalho ao apóstolo maravilhosamente bem sucedido.

Jonathan Edwards - A busca da santidade

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A igreja, esperança do mundo - Justo González

"Enquanto amanhecia, Paulo rogava a todos que se alimentassem, dizendo: Hoje, é o décimo quarto dia em que, esperando, estais sem comer, nada tendo provado. Eu vos rogo que comais alguma coisa; porque disto depende a vossa segurança; pois nenhum de vós perderá nem mesmo um fio de cabelo. Tendo dito isto, tomando um pão, deu graças a Deus na presença de todos e, depois de o partir, começou a comer. Todos cobraram ânimo e se puseram também a comer. Estávamos no navio duzentas e setenta e seis pessoas ao todo... e foi assim que todos se salvaram em terra." (Atos 27.33-37, 34 - Ler o texto completo: 27.13-44)
Esse episódio todo é tão emocionante que, ao lê-lo, pode-se esquecer do fato de que os que viajavam com Paulo são salvos por causa da presença do apóstolo. Talvez isso pareça estranho, pois tendemos a pensar em termos muito individualistas: cada pessoas é responsável pelos próprios atos. Contudo, aqui, Deus garante a Paulo a vida de seus companheiros de viagem. Graças à fidelidade de Paulo em obedecer ao que o Senhor lhe ordenou, as outras pessoas também são salvas. Há na Escritura uma história paralela que mostra o caso oposto. É a história de Jonas, que pega um navio a fim de ir na direção oposta da direção ordenada por Deus. Como consequência de sua desobediência, o navio todo estava em perigo, e os que navegavam com Jonas não tiveram alternativa, exceto jogá-lo ao mar.

É importante manter essas duas histórias em tensão, pois embora seja verdade que a igreja fiel é uma esperança para o mundo; também é verdade que a igreja desobediente é uma ameça, e talvez o mundo faça bem jogá-la ao mar.

Graças à fidelidade de Paulo, e à missão que Deus confiara a ele, os que viajavam com Paulo foram salvos no naufrágio. Além disso, quando Paulo lhes prometeu que seriam poupados e os convidou a comer, o próprio fato de que ele comeu é um sinal de que suas palavras de esperança não eram palavras vazias. Ele estava convencido de que há um futuro diferente daquele que seus companheiros temiam. Com o simples ato de pegar o pão, agradecer e comê-lo, ele oferece esperança a todos os marinheiros, soldados e passageiros desesperados.

Da mesma forma, a igreja tem um palavra de esperança para o mundo. O fundamento para essa esperança é que a igreja tem uma visão do futuro diferente da visão do mundo. Mas o mundo não acreditará em nós se não vivermos agora como pessoas que realmente têm essa esperança. Os companheiros de Paulo acreditaram nele e decidiram comer quando o viram comendo. O mundo acredita à medida que nos vê sendo realmente pessoas que têm uma nova esperança, anunciando um futuro diferente e já o vivendo. Em meio a um continente em constante crise de falta de esperança, com dívidas externas imensas, situações políticas trágicas e meio ambiente cada vez mais poluído e escasso, a igreja não tem alternativa a não ser anunciar com suas palavras, com seus atos e com a própria vida interior o futuro diferente que Deus prometeu.

Os atos de Paulo lembra-nos a comunhão: ele pegou o pão, agradeceu, partiu-o e convidou os outros a comer. Talvez o que devamos fazer hoje seja algo semelhante: que a nossa comunhão seja de tal maneira que lembremos ao mundo da esperança de sua própria salvação, do reino de Deus. Que ao tomar o pão, agradecer e parti-lo, nosso ato e a vida que nasce dele sejam um anúncio vivo da nova ordem do reino de Deus. Essa igreja é realmente uma esperança para o mundo. O oposto também é verdade: a igreja que não tem obediência necessária para ser uma proclamação de esperança só merece ser, como Jonas, jogada para fora do navio em perigo.

Fonte: Extraído do livro "Atos, o evangelho do espírito santo" de Justo González.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O CAMINHO DA GRAÇA

No templo havia um lugar onde apenas o sumo sacerdote entrava. Era o Santo dos Santos. Esse santíssimo lugar ficava separado por um véu, e ali o sumo sacerdote entrava apenas uma vez por ano. Era o dia da expiação, quando ele oferecia a Deus um sacrifício que cobria seus próprios pecados e os pecados do povo (Lv 16). Ali, diante da presença de Deus, o sumo sacerdote poderia até morrer. Para que isso não acontecesse, ele precisava encher o lugar de fumaça, tampando a si mesmo e cobrindo o propiciatório com uma nuvem de incenso.

É maravilhoso pensar que hoje, neste novo tempo inaugurado por Jesus, podemos entrar sem medo na presença de Deus. Podemos nos achegar a ele com total liberdade e ousadia. Você sabe por que temos tamanho privilégio? A Bílbia relata que, ao mesmo tempo em que a carne de Cristo era rasgada por nós na cruz, o véu do santuário se rasgou de alto a baixo (Mt 27.51). Sobrenaturalmente, aquele véu foi rasgado para que entendêssemos que o acesso a Deus estava aberto. Portanto, cobertos pelo sangue do Cordeiro – Jesus – não teremos mais entrar na presença de Deus. É o que nos diz o autor da carta aos Hebreus:

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé… (Hb 10.19-22).

Infelizmente, parece que muitos ainda não sabem que Jesus veio inaugurar este novo tempo, o tempo da graça. Muitas pessoas ainda se aproximam de Deus cheias do medo de serem destruídas por ele por causa de seus pecados. Sentem-se intimidade de se aproximar do Senhor por causa dos pecados do passado e pelos tropeços na caminhada presente.

A verdade é que a graça supera nosso entendimento. Ela nos cobriu completamente e, hoje, por mais certinhos que sejamos, continuamos precisando dela. Se Deus nos olhasse sem a graça, estaríamos perdidos, pois nunca estamos completamente limpos. Existem pecados de omissão, motivações erradas, enfim, nossa justiça é como trapo de imundície! (Is 64.6).

Lembro-me de algumas vezes em que pequei e me senti frustrada, pensando que Deus me consumiria e não me daria uma nova chance. Não tinha coragem nem de ler a Bíblia. Entrar na presença de Deus em adoração? Nem pensar! Mesmo arrependida, pedindo perdão pelo meu pecado, demorava a me entregar ao amor e a graça de Deus. Demorava a levantar as mãos com ousadia, a celebrar, a me aproximar, sem medo, diante do Trono da graça.

Quando comecei a compreender a graça, passei a me ver sempre coberto por ela. Quando estou com a consciência limpa de pecados cometidos, ainda assim sei que é pela graça que Deus me recebe em sua presença. Quando peco, arrependo-me e volto correndo, sabendo que sou chamado a entrar com ousadia neste novo e vivo caminho.

Que você também se veja coberto pela graça e atenda ao convite para entrar no Santo dos Santos sem temor algum. Este novo tempo inaugurado por Jesus fala da graça. Fala do desejo do próprio Deus de que você desfrute essa comunhão íntima com ele, usufruindo todos os benefícios conquistados por Cristo na cruz do Calvário.

Esse caminho, aberto pelo sangue do Cordeiro, pela sua graça, nos leva até Deus sem nenhuma intimidação. Não podemos desprezar o que ele fez por nós, mas vamos nos apropriar dessa herança que ele nos deu. Temos livre acesso ao trono do Senhor, e ali podemos adorá-lo e nos deliciar em sua santa presença. Ele, certamente, estará nos esperando sempre que desejarmos nos aproximar.

*Transcrito de:

BESSA, Ana Paula Valadão. Adoração Diante do Trono. Diante do Trono Publicações/Distribuidora Exodo, 2003. pgs. 100 à 103.

domingo, 27 de maio de 2012

Difícil de estar preparado

Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. (João 16.2)

À primeira vista, esta afirmação parece bem estranha. Exclusão, sofrimento, e morte foram as coisas que o Príncipe da Paz antecipou aos seus discípulos. Aos invés de serem aceitos com gratidão e as pessoas darem crédito à sua mensagem, os discípulos seriam odiados, maltratados com desprezo e mortos pelo mundo. E, pior do que tudo isso, seus seguidores convenceriam a si mesmos de que era correte persegui-los e infligir-lhes as mais cruéis afrontas, em noma da religião.

Esta profecia se realizou com toda veracidade. Assim como todas as demais profecias das Escrituras, esta se cumpriu palavra por palavra. Os Atos dos Apóstolo nos mostram como os judeus incrédulos perseguiram a igreja primitiva. As páginas da história revelam os terríveis crimes praticados pela Inquisição. As crônicas da Europa mostram como os piedosos reformadores foram queimados, devido às suas convicções espirituais, por homens que declaravam fazer tudo que podiam, motivados por seu zelo em favor da pureza do cristianismo. Ainda que parecia impossível e inacreditável naquela ocasião, o grande Profeta da igreja comprovou sua autenticidade no fato de que, assim como os todas as suas outras afirmações, Ele predisse nada mais do que a verdade.

Não devemos ficar surpresos ao ouvir que os crentes são perseguidos, de uma maneira ou de outra, em nossos dias. A natureza humana continua a mesma. A graça divina nunca foi realmente popular. Se os verdadeiros filhos de Deus confessam a Jesus como Senhor, a intensidade de perseguição que ele têm de sobre mesmo agora, nas diversas áreas de suas vidas, é maior do que as pessoas do mundo imaginam. Somente conhecem a natureza da perseguição aqueles que a vivenciam, na escola, no trabalho, em casa, etc. "Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos" (2 Tm 3.12).

Meditações no evangelho de João - J. C. Ryle
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