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sexta-feira, 15 de junho de 2012

A igreja, esperança do mundo - Justo González

"Enquanto amanhecia, Paulo rogava a todos que se alimentassem, dizendo: Hoje, é o décimo quarto dia em que, esperando, estais sem comer, nada tendo provado. Eu vos rogo que comais alguma coisa; porque disto depende a vossa segurança; pois nenhum de vós perderá nem mesmo um fio de cabelo. Tendo dito isto, tomando um pão, deu graças a Deus na presença de todos e, depois de o partir, começou a comer. Todos cobraram ânimo e se puseram também a comer. Estávamos no navio duzentas e setenta e seis pessoas ao todo... e foi assim que todos se salvaram em terra." (Atos 27.33-37, 34 - Ler o texto completo: 27.13-44)
Esse episódio todo é tão emocionante que, ao lê-lo, pode-se esquecer do fato de que os que viajavam com Paulo são salvos por causa da presença do apóstolo. Talvez isso pareça estranho, pois tendemos a pensar em termos muito individualistas: cada pessoas é responsável pelos próprios atos. Contudo, aqui, Deus garante a Paulo a vida de seus companheiros de viagem. Graças à fidelidade de Paulo em obedecer ao que o Senhor lhe ordenou, as outras pessoas também são salvas. Há na Escritura uma história paralela que mostra o caso oposto. É a história de Jonas, que pega um navio a fim de ir na direção oposta da direção ordenada por Deus. Como consequência de sua desobediência, o navio todo estava em perigo, e os que navegavam com Jonas não tiveram alternativa, exceto jogá-lo ao mar.

É importante manter essas duas histórias em tensão, pois embora seja verdade que a igreja fiel é uma esperança para o mundo; também é verdade que a igreja desobediente é uma ameça, e talvez o mundo faça bem jogá-la ao mar.

Graças à fidelidade de Paulo, e à missão que Deus confiara a ele, os que viajavam com Paulo foram salvos no naufrágio. Além disso, quando Paulo lhes prometeu que seriam poupados e os convidou a comer, o próprio fato de que ele comeu é um sinal de que suas palavras de esperança não eram palavras vazias. Ele estava convencido de que há um futuro diferente daquele que seus companheiros temiam. Com o simples ato de pegar o pão, agradecer e comê-lo, ele oferece esperança a todos os marinheiros, soldados e passageiros desesperados.

Da mesma forma, a igreja tem um palavra de esperança para o mundo. O fundamento para essa esperança é que a igreja tem uma visão do futuro diferente da visão do mundo. Mas o mundo não acreditará em nós se não vivermos agora como pessoas que realmente têm essa esperança. Os companheiros de Paulo acreditaram nele e decidiram comer quando o viram comendo. O mundo acredita à medida que nos vê sendo realmente pessoas que têm uma nova esperança, anunciando um futuro diferente e já o vivendo. Em meio a um continente em constante crise de falta de esperança, com dívidas externas imensas, situações políticas trágicas e meio ambiente cada vez mais poluído e escasso, a igreja não tem alternativa a não ser anunciar com suas palavras, com seus atos e com a própria vida interior o futuro diferente que Deus prometeu.

Os atos de Paulo lembra-nos a comunhão: ele pegou o pão, agradeceu, partiu-o e convidou os outros a comer. Talvez o que devamos fazer hoje seja algo semelhante: que a nossa comunhão seja de tal maneira que lembremos ao mundo da esperança de sua própria salvação, do reino de Deus. Que ao tomar o pão, agradecer e parti-lo, nosso ato e a vida que nasce dele sejam um anúncio vivo da nova ordem do reino de Deus. Essa igreja é realmente uma esperança para o mundo. O oposto também é verdade: a igreja que não tem obediência necessária para ser uma proclamação de esperança só merece ser, como Jonas, jogada para fora do navio em perigo.

Fonte: Extraído do livro "Atos, o evangelho do espírito santo" de Justo González.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fanáticos ou Defensores da Verdade? - John Kennedy

Em tempos como o nosso é fácil alguém parecer fanático, se mantém uma firme convicção sobre a verdade e quando se mostra cuidadoso em ter certeza de que sua esperança procede do céu. Nenhum crente pode ser fiel e verdadeiro nesses dias, sem que o mundo lhe atribua a alcunha de fanático. Mas o crente deve suportar esse título. É uma marca de honra, embora a sua intenção seja envergonhar. É um nome que comprova estar o crente vinculado ao grupo de pessoas das quais o mundo não era digno, mas que, enfrentando a ignomínia por parte do mundo, fizeram mais em benefício deste do que todos aqueles que viviam ao seu redor. O mundo sempre sofre por causa dos homens que honra. Os homens que trazem misericórdia ao mundo são os que ele odeia.

Sim! Os antigos reformadores eram homens fanáticos em sua época. E foi bom para o mundo eles terem sido assim. Estavam dispostos a morrer, mas não comprometeriam a verdade. Submeter-se-iam a tudo por motivo de consciência, mas em nada se sujeitariam aos déspotas. Sofreriam e morreriam, mas temiam o pecado. Esse fanatismo trouxe liberdade para a sua própria terra natal, como bem demonstra o exemplo dos reformadores escoceses. O legado deixado por esses homens . cujo lar eram as cavernas na montanha e cuja única mortalha era a neve, que com freqüência envolvia seus corpos quando morriam por Cristo é uma dádiva mais preciosa do que todas as oferecidas por reis que ocuparam o trono de seus países ou por todos os nobres e burgueses que possuíam suas terras. Sim, eles eram realmente fanáticos, na opinião dos zombadores cépticos e perseguidores cruéis; e toda a lenha com a qual estes poderiam atear fogueiras não seria capaz de queimar o fanatismo desses homens de fé.

Foram esses implacáveis fanáticos, de acordo com a estimativa do mundo, que encabeçaram a cruzada contra o anticristo, quando na época da Reforma desceu fogo do céu e acendeu em seus corações o amor pela verdade. Esses homens, através de sua inabalável determinação, motivados por fé viva, venceram em épocas de severas provações, durante as quais eles ergueram sua bandeira em nome de Cristo. Um lamurioso Melanchthon teria barganhado o evangelho em troca de paz. A resoluta coragem de um Lutero foi necessária para evitar esse sacrifício. Em todas as épocas, desde o início da igreja, quando a causa da verdade emergiu triunfante sobre o alarido e a poeira da controvérsia, a vitória foi conquistada por um grupo de fanáticos que se comprometeram solenemente na defesa dessa causa.

Existe hoje a carência de homens que o mundo chame de .fanáticos.. Homens que possuem pulso fraco e amor menos intenso pouco farão em benefício da causa da verdade e dos melhores interesses da humanidade. Eles negociarão até sua esperança quanto à vida por vir em troca da honra proveniente dos homens e da tranqüilidade resultante do comprometimento do evangelho. Há muitos homens assim em nossos dias, mesmo nas igrejas evangélicas e na linha de frente do evangelicalismo; homens que se gloriam de uma caridade indiscriminada em suas considerações, de um sentimento que rejeita o padrão que a verdade impõe; homens que aprenderam do mundo a zombar de toda a seriedade, a queixarem- se da escrupulosidade de consciência e a escarnecer de um cristianismo que se mantém através da comunhão com os céus! Esses têm os seus seguidores. Um amplo movimento emergiu afastado do cristianismo vital, de crenças fixas e de um viver santo. As igrejas estão sendo arrastadas nessa corrente. Aproxima- se rapidamente o tempo em que as únicas alternativas serão ou a fé viva ou o cepticismo declarado.

Uma violenta maré se abate sobre nós nessa crise, e poucos mostram-se zelosos em resistir. Não podemos prever qual será o resultado nas igrejas, nas comunidades e nos indivíduos, tampouco somos capazes de tentar conjeturá-lo sem manifestar sentimentos de tristeza. Contudo, uma vitória segura é o destino da causa da verdade. E, até que chegue a hora de seu triunfo, aqueles que atrelaram seus interesses à carruagem do evangelho perceber ão que fazem parte de um grupo que está diminuindo, enquanto avançam até àquele dia; seu sentimento de solidão se aprofundará, enquanto seus velhos amigos declinarão à negligência, a indiferença se converterá em zombaria, e as lamúrias se transformar ão em amarga inimizade. Eles levarão adiante a causa da verdade somente em meio aos escárnios dos incrédulos e às flechas dos perseguidores.

Mas nenhum daqueles que amam a verdade . aqueles cujos olhos sempre descansaram na esperança do evangelho . deve acovardado fugir das provações. Perecer lutando pela causa da verdade significa ser exaltado no reino da glória. Ser massacrado até à morte, pelos movimentos de perseguição, significa abrir a porta da prisão, para que o espírito redimido passe da escravidão ao trono. Em sua mais triste hora, aquele que sofre por causa da verdade não deve recusar a alegria que os lampejos da mensagem profética trazem ao seu coração, quando brilham através das nuvens de provação. O seu Rei triunfará em sua causa na terra e seus amigos compartilharão da glória dEle. Todas as nações sujeitar-se-ão ao seu domínio. As velhas fortalezas de incredulidade serão aniquiladas até ao pó. A iniqüidade esconderá sua face envergonhada. A verdade, revelada dos céus, receberá aceitação universal e será gloriosa no resplendor de seu bendito triunfo aos olhos de todos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O Ser de Deus - Paulo Anglada

Deus é um ser único, pessoal, infinito em seu ser e atributos. É um ser espiritual e imenso (eterno e onipresente). Ele é imanente mas também transcendente; onisciente e onipotente; imutável, auto-existente e independente.

Porque Deus se revela nas Escrituras como um ser uno e pessoal, devemos rejeitar qualquer noção de Deus que não seja una e pessoal. Não há deuses, há um só Deus - e ele não é uma força, é uma pessoa. Visto que Deus é infinito em seu ser e perfeições, devemos rejeitar qualquer tendência de atribuir-lhe as nossas imperfeições e limitações. Somente ele é absolutamente perfeito. Porquanto Deus é espírito, não podemos tomar a linguagem antropomórfica das Escrituras literalmente, concebendo-o como corpóreo e visível, a não ser em Cristo.

Da imensidão de Deus, conclui-se que ele é eterno e onipresente; que não está sujeito ao tempo ou ao espaço. Deus está em todo lugar, o tempo todo. Por causa da sua transcedência, cremos que Deus está presente na criação, mas não se confunde com ela. Em virtude da onisciência e onipotência de Deus, não se pode esconder nada dele, nem palavras, nem atos ou mesmo pensamentos. Ele conhece os nossos pecados, e isso nos serve de advertência. Ele conhece também nossas dores e fraquezas, e isso nos serve de enorme consolo: "Ele conhece a nossa estrutura, e sabe que somos pó" (Sl 103:14). Por isso clamamos como o salmista: "sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mal, guia-me pelo caminho eterno" (Sl 139.23-24).

Porque Deus é imutável, sabemos que o seu ser e propósitos não se alteram. Por isso ele é fiel. É o mesmo ontem, hoje, e o será para sempre. Ele cumprirá todas as suas promessas e todas as suas ameaças. Finalmente, porque Deus é auto-existente e independente, devemos nos submeter à sua vontade perfeita e soberana e tributar-lhe o louvor e a glória que lhe são devidas.

Extraído do livro: Soli Deo Gloria - O Ser e Obras de Deus, de Paulo Anglada.
Copyright: ©Knox Publicações


 


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Amar é uma decisão - Charles Melo

Nem tudo o que dizem por aí é a exata expressão da realidade. Poetas e cantores tentaram definir o que é o amor. Vinícius de Morais o expressou nesses termos: “Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”. Jorge Vercilo cantou assim o amor: “O amor se fez me levando além onde ninguém mais. Criou raiz, ancorou de vez, fez de mim seu cais lendo a rota das estrelas”.

Sabe o que é interessante nessas poesias sobre o amor? É que elas manifestam a opinião popular sobre o amor. Nem sempre terão razão, pois a teologia popular nem sempre expressará a realidade objetiva. É altamente questionável a validade da máxima: “a voz do povo é a voz de Deus”.

De acordo com os dicionários, amor tem sido definido como “sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso; forte inclinação, de caráter sexual, por pessoa de outro sexo; afeição, grande amizade” (Dicionário UOL-Michaelis – outros dicionários seguirão a mesma linha). A primeira coisa que salta aos olhos nessa definição é o caráter espontâneo que atribuem ao amor, como se ele tivesse vida própria e volição independente. É o caso do Jorge Vercilo, que se retrata como alguém carregado pelo amor e impelido por ele. Já o mais famoso dos poetas da MPB, Vinícius de Morais, o retratou como “chama”. Sendo assim, não é eterno; pode se apagar. Então ele encerra com um dos mais belos paradoxos do ponto de vista poético: “que seja eterno enquanto dure”.

Embora seja belo o paradoxo, não é exatamente isso o que a Bíblia diz sobre o amor. A Bíblia retrata o amor de duas maneiras: “phileo”, que denota amizade; e “agapao”, que em algumas passagens denota intensidade, e afeição no sentido moral e social. Alguns o retratam como incondicional (como o “amor de Deus” ou o de Demas pelo presente século – 2Tm 4.10). Em definição, não difere muito do que os dicionários dizem, mas destoa muito da noção popular. Na concepção geral, o amor é um sentimento autônomo e que governa a mente, a vontade e as emoções. Enquanto ele se faz presente, move o ser humano para lá e para cá. A partir do momento em que ele se retira (por uma espécie de “vontade própria”), aí não há o que fazer.

Enquanto penso nessas coisas, me vem à mente uma dúvida. Se é assim, por que a Bíblia ordena que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos? Veja: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. (...) Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30,31). Vou mais além. Se o amor é um sentimento espontâneo e de “vontade própria”, por que Paulo ordenou: “Maridos, amai vossa mulher como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25)? Meu ponto é o seguinte: Amor não é espontâneo; é fruto de uma decisão. Isso faz com que esses mandamentos da Bíblia façam sentido. De outra forma, pareceria insano que o Senhor ordenasse o amor a Deus e ao próximo.

Essa maneira de ver o amor traz muitas e sérias implicações. Em primeiro lugar, a noção popular de que eu preciso sentir o amor em meu coração para depois demonstrá-lo a alguém é uma falácia. Há pessoas que não amam ao próximo e dizem que não podem fazer nada, porque esse sentimento não brotou em seu coração ainda. Na verdade, a falta de amor (para não dizer ódio) foi fruto de sua decisão e, para justificar, apela à falta de espontaneidade do amor. Não temos escolha. Temos que amar nosso próximo! Quando o amor se torna fruto de uma decisão em nossa vida, o convívio se torna mais saudável e a reconciliação mais fácil.

Em segundo lugar, aqueles que enfrentam crise no casamento e alegam que o amor esfriou e que, assim, não podem mais fazer nada não possuem razão para tal alegação. O amor não é uma chama que se apaga por si só. É uma ordem do Senhor para que seja cultivado e mantido. O amor no casamento é fruto de uma decisão também. Eu decidi amar minha esposa porque entrei em aliança com ela. Curiosamente, Isaque primeiro se comprometeu com Rebeca; depois a amou (Gn 24.67). Hoje o casamento tem sido banalizado por causa dessa visão de que o amor tem que ser espontâneo. Hoje eu “amo”, então me caso. Amanhã “não amo mais”; me separo. Essa é a filosofia das novelas e dos livros de romance. A Bíblia diz: seja fiel à aliança; ame! (Ml 2.14; Ef 5.25). O amor é uma decisão!

Depois de ler isso, alguém pode se perguntar: o que posso fazer para que o amor seja cultivado, como fruto de uma decisão? Antes de mais nada, por mais ridículo que pareça dizer isto, ame! Decida amar. No caso dos casados, ame sua esposa, ame seu marido. Fale de seu amor, promova momentos agradáveis; evite as brigas e palavras grosseiras. Abuse dos presentes, do carinho, do abraço afetuoso. Surpreenda com flores, com um telefonema. Nos outros casos, do convívio fraternal, tenha consideração por seu próximo, mesmo porque ele foi feito à imagem de Deus. Pense sobre ele: “será que ele está bem? Será que está feliz? Como posso ajudar?” A Bíblia diz que devemos considerar “uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb 10.24). Faça do amor sempre uma decisão positiva. Ame a Deus! Ame ao próximo! Porque da obediência a estes mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

Pr. Charles Melo (Pastor da 6ª Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Como acontecia a Salvação no Antigo Testamento - Mauro Meister

Se Jesus é quem nos salva hoje, como ficam todos os que morreram antes de Jesus?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Como Encontrar os Eleitos - Kenneth D. Johns

"E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala, e não te cales; Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade." Atos 18.9,10

Com freqüência, ouvimos a acusação de que a doutrina da eleição sufoca o espírito de evangelismo. Reivindica-se (e isto sem dúvida já ocorreu) que essa doutrina paralisou algumas igrejas ou departamentos missionários em seu alcance evangelístico. Eles disseram: "Não é nossa tarefa salvar os pagãos; quando Deus estiver pronto para salvar os eleitos, Ele o fará por Si mesmo." Por isso, assentaram-se e nada fizeram. E, como resultado, a doutrina ganhou má reputação. Presume-se que a letargia de tais homens é causada por sua crença na eleição. Mas será que isso é verdade? É a doutrina ou os homens que merecem a culpa? Será que homens bons às vezes não fazem uso errôneo de uma doutrina correta? Não é possível que homens indiferentes e cabeças-duras torçam a verdade em benefício de si mesmos?

Os eleitos estão em nossas comunidades. Podemos encontrá-los à medida que oramos e confiamos na orientação do Espírito e na capacidade da Providência. Um incrédulo haverá de se mudar, para morar ao lado de um verdadeiro cristão, e encontrará a vida. Uma mudança em nossos compromissos de trabalho, em uma loja, colocará uma alma "vazia" ao lado de uma alma "plena". Após algum tempo, ambas estarão plenas. Uma conversa casual no cabeleireiro resultará em uma alma sedenta encontrando água viva. Inconsciente do poder que o controla, um orientador pedagógico do 2º grau colocará uma jovem perdida em uma classe onde ela se assentará ao lado de uma cristã piedosa. Através da amiga cristã, a jovem perdida encontrará o Grande Amigo. Estas são coincidências? A fé declara: "Não". O Pai está atraindo a Si mesmo aqueles a quem escolheu. Uma parcela de júbilo é prometida àqueles que oram e dependem do Espírito. Portanto, os eleitos em nossa comunidade serão encontrados.

O que Jesus disse a Paulo, em Corinto, Ele o diz a nós hoje: "Tenho muito povo em sua cidade. Os eleitos estão vivendo nessas ruas corrompidas. Os apartamentos, os lares de sua cidade são habitados por aqueles que são os escolhidos de Deus. Neste exato momento, você não pode identificá-los. Não pelo endereço, estilo de vida ou moralidade deles. Tampouco por estarem buscando a verdade. Para você, eles parecem mortos. Mas incuti em seus corações que venham a Mim; e eles virão. Apenas creia e seja fiel. Reconheça a sua própria incapacidade e ore. Permita que meu Espírito o guie à rua Trôade; alguns dos eleitos moram ali. Você encontrará outro na cadeia que fica na Av. Filipos. Eles o expulsarão daquele lugar, mas, ao fazerem isso, você encontrará mais eleitos na alameda Tessalônica. Faça uma visita à casa de Jasom. Novamente você terá de fugir para não ser morto, mas será extremamente frutífero na rodovia Nobre, em Beréia; não perca essa oportunidade. O Condomínio Cultural de apartamentos em Atenas será um teste árduo e não muito produtivo. Mas ali eu tenho uma pessoa sofisticada, Dionísio, e uma mulher, Damaris, e um casal de outros que pretendo trazer ao aprisco. Por isso, passe por lá e anuncie a minha Palavra. Não se preocupe com o que lhe chamarão; já lhe dei um novo nome. Seja forte nos condom ínios de Corinto. É um lugar maligno. Mas naquelas casas habitam muitos que viverão em minha casa eternamente. Eu lhe asseguro que o administrador, Gálio, não o perturbará. Seja forte. Não deixe de pregar a mensagem. Estarei com você em todos esses lugares. Juntos, Eu e você, encontraremos os meus eleitos. Todos que o Pai me deu virão a Mim através de você."

"Os únicos precedentes neotestamentários para a proclamação do evangelho são: vida santa, oração e testemunho ousado." - Geoffrey Thomas 

"Evangelização é um mendigo contando ao outro onde encontrar pão." - D. T. Niles

sábado, 5 de novembro de 2011

O culto deve ser divertido? - Bob Kauflin


Hebreus 10.24,25 – “E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia.”

Mais de uma vez ouvi cristãos afirmando que o culto deve ser divertido, ou agirem como se eles tivessem uma responsabilidade de provar que os cristãos sabiam como “curtir” na igreja. Sempre me senti desconfortável com essa conexão, então comecei a pensar sobre o lugar da “diversão” no culto, e se isso realmente existe. Gostaria de tratar a questão respondendo como eu a fiz, e então considerando duas maneiras pelas quais ela pode ser reescrita.

O culto deve ser divertido? Se tomarmos o testemunho exaustivo da Escritura, a resposta poderia ser um ressoante NÃO. “Diversão” não parece caracterizar muitas das cenas onde o povo encontra Deus na Bíblia. Somos ensinados a adorar a Deus com reverência e respeito, pois ele é fogo consumidor (Hb 12.28-29). Ter “diversão” nunca deveria ser nosso motivo principal quando nos reunimos. Nosso alvo é lembrar a grandeza de Deus, apresentar nossas petições diante dele, e agradecê-lo por suas misericórdias abundantes em Jesus Cristo. Celebração certamente deve ser incluída nisso, mas existem também momentos em que adorar a Deus produz temor, lágrimas de arrependimento, e um profundo silêncio.

Mas, deixe-me refazer a questão. O culto pode ser divertido? Depende de como definimos “diversão”. Eu sei que alguns de vocês não acreditam que eu esteja realmente levando em consideração essa ideia. E é possível que ganhe alguns comentários a esse respeito. Mas acredite: não estou tentando ser leviano. De fato, estou, no momento, na conferência de pastores de John Piper e, na última noite, ouvi uma mensagem de R.C. Sproul sobre a santidade de Deus em Isaías 6. Foi poderosa, convincente e sóbria. Adoramos a um Deus santo.

Se “diversão” for definida como uma atividade leve, sem propósito ou significado, estritamente a fim de entreter, então a resposta a “o culto pode ser divertido” deve certamente ser não. Quando adoramos a Deus juntos, não estamos procurando ser meramente entretidos ou momentaneamente distraídos dos cuidados deste mundo. Recreação não é o mesmo que adoração. Nossa alegria e prazer devem estar sempre fundamentados e formados pelos atos, natureza e atributos de Deus.

Entretanto, quando procuro por “diversão” em meu dicionário, o primeiro significado é “agradável”. Se estamos perguntando “adorar a Deus pode ser agradável?” então certamente a resposta deve ser sim. Isaías 6 não é o único capítulo da Escritura que descreve como nos relacionamos com Deus. Houve inúmeras vezes em que estive liderando o culto ou cantando como parte da congregação e pensei “eu amo fazer isso!”. O prazer inundou minha alma, e eu pude legitimamente dizer que eu estava tendo “diversão”!

Talvez isso seja semelhante ao que os israelitas experimentaram em 2 Crônicas 30. Eles estavam gostando tanto de celebrar a Festa dos Pães Asmos por sete dias que Ezequias e o povo espontaneamente decidiram manter a festa por mais sete dias (2 Cr 30.22,23)! Deve ter sido uma bela celebração! Em outra ocasião, Esdras e os sacerdotes disseram ao povo para que não se entristecessem ou chorassem porque aquele dia era “consagrado ao Senhor”, e que a alegria do Senhor era a força deles (Ne 8.9,10). Santidade e alegria não são necessariamente exclusivas.

Quando meus filhos estavam crescendo, eu queria que eles desejassem cantar músicas de louvor, e não vissem o relacionamento com Deus como algo que era apenas sério, sóbrio e solene. Afinal de contas, cantar ao Senhor deveria ser prazeroso (Sl 135.3; Sl 147.1). Davi dançou na presença do Senhor com toda sua força enquanto trazia a arca de volta a Jerusalém (2 Sm 6.12-15). O Salmista alegrou-se quando lhe disseram: “Vamos à casa do Senhor!” (Sl 122.1). Então, sim, quando definido como prazer, e não visto como o único aspecto do culto, adorar a Deus pode ser muito “divertido”. As pessoas não deveriam achar nossas reuniões sombrias ou sem vida. Sorrisos e mesmo risadas deveriam fluir enquanto consideramos quão bom, misericordioso e gracioso Deus tem sido a nós (Sl 126.2)!

Bob Kauflin

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

“Sometime” (Algum dia) - May Riley Smith

Em  um  poema  denominado “Sometime”  (Algum  dia),  May  Riley  Smith  expressa  de  forma  linda  a perspectiva do paraíso que um dia iremos possuir:

Um dia, quando todas as lições da vida foram aprendidas, 
E o sol e estrelas se recolheram para sempre,
As coisas que os nossos fracos julgamentos aqui desprezaram,
As coisas sobre as quais nós nos afligimos com açoites,
Irão se iluminar à nossa frente, saindo da noite escura da nossa vida,
Como as estrelas brilham em tons mais profundos de azul;
E veremos como todos os planos de Deus são corretos,
E o que parecia reprovável era o amor mais verdadeiro. 
Então esteja contente pobre coração;
Os planos de Deus, como lírios, puros e brancos, desabrocham;
Não devemos abrir a força as folhas ainda fechadas. –
O tempo revelará os cálices de ouro. 
E se, através do trabalho perseverante, alcançarmos a terra
Onde pés cansados, com as sandálias desamarradas, poderão descansar,
Quando veremos e compreenderemos claramente,
Acho que iremos dizer: “Deus sabia o que era o melhor!”

May Riley Smith

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Meu Desabafo no Dia da Reforma - Thiago Ibrahim

O Desabafo
31 de outubro de 1517. Essa é uma data que deveria ser lembrada pelos evangélicos como um marco na história. Digo isso, porque não vi no dia de ontem a Reforma ter sido citada em minha igreja (uma igreja Batista por sinal). Admito: isso me deixou muito triste e angustiado. Certa vez ouvi alguém dizer que "um povo que não sabe de onde veio, não sabe para onde está indo" e agora me pego acreditando piamente nisso. A imensa maioria dos evangélicos brasileiros sequer sabe o que significou pra nós a Reforma Protestante e isso não é bom. Mas o que mais me indigna é ver cristãos que não se dão ao trabalho de conhecer o fato, pra saber como Deus agiu na história a favor de seu puro e simples Evangelho. A impressão que fica é que na EBD, onde se deveria estudar esses fatos marcantes da nossa fé, abre-se espaço pra tudo, menos para a Bíblia e a história da Igreja.
Sabendo disso, mantenho firme a minha posição de te alertar dizendo que se você é cristão (ou apenas crente, expressão mais adequada para os nossos dias) tem o dever conhecer a história da sua fé. E o objetivo desse meu texto é te ajudar nisso. Escrevo hoje pra contar um pouco do que aprendi. Espero também suscitar em você a vontade de conhecer um pouco mais sobre teologia, sobre o cristianismo e seus movimentos históricos. Quem sabe assim paremos de ser escravos de homens que tentam nos ludibriar e deter o poder usando pra isso o nome de Deus.
Questionamentos
De onde surgiu o cristianismo protestante? Por que católicos e evangélicos não se unem em uma só fé? Quando foi que inventaram essa religião evangélica? Quem foi o fundador do protestantismo? Por que católicos e evangélicos acreditam no mesmo Deus, mas não são uma só fé? Você, cristão, precisa saber responder a essas perguntas e o apóstolo Pedro deixa em uma de suas cartas um conselho sensato:
"Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da fé que há em vocês." 1 Pedro 3:15
Então, vamos falar um pouco sobre reforma? Logo depois, se me permite, tenho alguns outros conselhos pra você. Vamos lá!
A Reforma

O marco da Reforma Protestante e talvez o ato que a simbolize seja Martinho Lutero afixando 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. As 95 Teses, sobre as quais já tratei aqui, desafiavam os ensinamentos da Igreja quanto às penitências, a autoridade do papa e da utilidade das indulgências. As Teses impulsionaram o debate teológico, trazendo parte da Igreja da época à reflexão acerca das práticas de seus líderes e sobre a Palavra de Deus.
Apesar de tratarem também das penitências, e da autoridade do papa, a ênfase das Teses de Lutero era sobre as indulgências, que eram títulos de garantia de perdão para aquelas pessoas que contribuíssem financeiramente para a Igreja, e principalmente para a construção da Basílica de São Pedro, em Roma. Esses títulos eram assinados pelo Papa e tinham como finalidade assegurar que o nome da pessoas que ali estivessem escritos teriam suas penas perdoadas. O grande responsável por essa venda de indulgências foi, Johann Tetzel, capitaneado pelo Papa Leão X (fato negado veementemente pelos católicos).
O resultado das 95 Teses de Lutero foi o nascimento das tradições luteranas, reformada e anabaptista dentro do cristianismo.
Conselhos

Esses foram os fatos do século XVI. E hoje? Será que temos alguém usando a Bíblia pra angariar fundos para construção de templos? Será que você vê alguém prometendo bençãos em troca de dinheiro? Será que você vê líderes usando a prerrogativa da liderança pra subjugar o povo? Se a sua resposta for "sim", faço novas perguntas: o que você tem feito contra isso? Se você faz parte de uma igreja, como cristão tem o dever de defender a sã doutrina e lutar a favor do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo. É impossível que alguém que conheça a verdade não combata a mentira. O apóstolo Paulo em conselho a Tito diz o seguinte:
"Em tudo seja você mesmo um exemplo para eles, fazendo boas obras. Em seu ensino, mostre integridade e seriedade; use linguagem sadia, contra a qual nada se possa dizer, para que aqueles que se lhe opõem fiquem envergonhados por não terem nada de mal para dizer a nosso respeito." Tito 2:7-8
Aproveite esse momento, no dia de hoje, para refletir sobre a fé evangélica brasileira e os rumos que estamos tomando ao nos afastarmos dos ideais da fé reformada. O meu conselho a você, caro leitor, é que analise os propósitos da sua congregação e não tenha medo de confrontar aquilo que está errado. Converse com seu pastor, observe o trato dele com relação às escrituras e a fé. Seja um reformador, pois um dos lemas da reforma é "Igreja Reformada, Sempre se Reformando".
Sola fide (somente a fé); Sola scriptura (somente a Escritura); Solus Christus (somente Cristo); Sola gratia (somente a graça); Soli Deo gloria (glória somente a Deus).
Sejamos Luteros!
Por Thiago Ibrahim (@thiagoibrahim)
Fonte: Blog do Ibrahim

sábado, 29 de outubro de 2011

Cânticos de (Con)tradição - Paulo de Castro

Nos últimos tempos temos visto que as igrejas têm dado cada vez mais importância e significância ao momento de louvor no culto. Porém, tanta importância e significância têm deixado de lado a preocupação com o conteúdo, a coerência e a doutrina na letra de nossas músicas. Ouvimos em nossas rádios blocos de músicas que vão contra doutrinas bíblicas ou até mesmo músicas que se contradizem entre si, tanto doutrinária, como filosoficamente. E isso se repete em nossas igrejas.

Procuramos, em nossos cânticos congregacionais, não ensinar a Palavra de Deus e doutrinas bíblicas, mas sim suprir nossa necessidade de auto-satisfação e o desejo de nosso ego de que nossas vontades serão realizadas, e com isso cometemos algumas gafes.

Um exemplo disso é que cantamos na igreja uma música que diz que “o que perdido foi não se compara com o que há de vir”, no sentido de que o que virá será melhor do que o que eu tinha antes. Já na música seguinte, cantamos: “restitui, eu quero de volta o que é meu”, numa declaração que, além de tentar dar ordens a Deus, diz que eu quero de volta o que um dia eu tive. Ou cantamos: “mesmo que não haja alimento nos campos eu me alegrarei em Ti [Deus]”, dizendo que mesmo que tudo que eu tenho se acabe minha alegria está em Deus e não nas coisas deste mundo; e logo em seguida, cantamos que “estão tentando sepultar minha alegria, tentando ver meus sonhos cancelados”, dando a entender que minha alegria está na realização dos meus sonhos.

Exemplos como os citados acima são muitos, e acontecem em várias igrejas. Tais exemplos mostram que não temos seguido os ensinamentos de Paulo: “cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento” (I Co 14.15). Não cantamos com o espírito, já que não cantamos doutrinas bíblicas; e quando cantamos, desdizemos em outra música o que acabamos de cantar, contradizendo o que cremos. Não cantamos com o entendimento, já que diante de tais erros, não os percebemos, mostrando que não entendemos o que cantamos.

Infelizmente é assim que tem caminhado a nossa igreja contemporânea, dando mais importância ao nosso ego que à doutrina bíblica, dando mais importância a nos sentirmos felizes com nós mesmos e nossos desejos que à verdadeiramente sermos felizes em Cristo.

Oremos para que Deus nos mude e mude nossas igrejas, mude nossas mentes e nossos cânticos, para que assim possamos cantar verdadeiras músicas de louvor a Deus.

Paulo de Castro
Fonte: Cante as Escrituras

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A menina, o bolo e a providência divina - Renato Vargens

Alexandre e Fernanda são amigos queridos e membros da Igreja Cristã da Aliança de Pendotiba. Hoje, antes do culto eles me contaram uma história interessantíssima.

Na ultima quarta feira eles teriam que ir a um evento de casais. Segundo Alexandre, ficou combinado com os coordenadores do evento que eles deveriam levar um prato de doces.  Para tanto, foram ao mercado e compraram os ingredientes necessários a confecção de uma guloseima especial. Ao chegarem em casa, Alexandre, como bom esposo que é, ficou preocupado com Fernanda,  isto porque, a agenda estava corrida e ela deveria ter que optar entre descansar ou fazer o doce.

Ele tanto insistiu com ela, que acabou convencendo-a  a dormir um pouquinho.  Ao acordarem perceberam que não havia mais tempo para confeccionar o doce, e que o melhor a ser feito seria comprar uma destas tortas prontas. 

Bom, Alexandre e Fernanda saíram de casa e rumaram novamente ao supermercado, todavia, quando lá chegaram não encontraram nada disponível a não ser uma grande torta.  O casal confabulou e chegou à conclusão que a torta era grande demais, no entanto, como não havia outra opção resolveram levar aquela mesma.  

Ao final da reunião, alguém disse: - Hoje é aniversario de fulana de tal! Vamos cantar parabéns para ela?

A aniversariante era uma menina de 07 de anos idade que havia pedido a mãe que comemorasse o seu natalício, com uma festa, contudo, por questões financeiras, a mãe havia lhe dito que não poderia comprar um bolo, muito menos organizar uma festa de aniversário.

Pois é, a menina ao ver aquela torta e perceber que todos naquele momento estavam em uníssono cantando “parabéns pra você” começou a chorar compulsivamente reconhecendo a providencia de Deus em lhe presentear com uma torta e uma linda festa.

Caro leitor, as Escrituras Sagradas nos mostra um Deus absolutamente pessoal e que de forma maravilhosa supre todas as nossas necessidades. Deus na sua soberania, havia ouvido a oração de uma criança que queria uma festa de aniversário e de forma soberana, usou Alexandre e Fernanda para presenteá-la com uma linda comemoração. 

Prezado amigo, no Sermão do Monte, Jesus declarou que não deveríamos ficar ansiosos pela nossa vida. O ensino bíblico é que deveríamos confiar no suprimento do Senhor quanto às necessidades básicas, tais como alimentos, roupas e saúde. Temos um Pai celestial, disse Jesus, que sabe aquilo de que precisamos e irá suprir todas as nossas necessidades.

Em suas epistolas, tanto Pedro como Paulo repetiram esta conclusão: “Não andeis ansiosos de coisa alguma” (Fl 4:06; I Pd 5:07) em lugar disso, devemos lançar diante de Deus as nossas petições, mediante orações, súplicas e ações de graça, esperando assim, experimentar a paz de Deus que excede a todo entendimento.

Isto posto, que tal confiar na providência divina? Que tal acreditar que apesar de tudo o Senhor continua no controle?

Pense nisso!
Renato Vargens

sábado, 10 de setembro de 2011

Humildade, Verdadeira Grandeza - John Piper e C. J. Mahaney

John Piper – O que é Humildade
 

Por John Piper. © Desiring God. Website: desiringGod.org
Original: John Piper – What is Humility? Website: desiringGod.org
Tradução: JvDaP

C. J. Mahaney – Humildade, Verdadeira Grandeza
 
A humildade atrai a atenção de Deus. Em Isaías 66.2 lemos as seguintes palavras do Senhor:
O homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra.
Esta profunda passagem nos direciona a uma motivação e a um propósito totalmente diferente a respeito da humildade. Uma motivação e um propósito que jamais encontraremos nas páginas de um manual de negócios. Nessa passagem, encontramos motivação e propósito alicerçados no impressionante fato de que a humildade atrai o olhar de nosso Soberano Deus.

Se entendermos as circunstâncias em que esta passagem foi escrita, encontraremos um significado ainda mais rico. Aqui, Deus se dirige aos israelitas, um povo com uma identidade única. Escolhidos por Deus, dentre todas as nações da terra, eles possuíam tanto o templo quanto a Torá – a Lei de Deus. Mas, não tremeram da palavra de Deus. Em certo sentido, eles tinham tudo a seu favor, exceto o mais importante. Eles não eram humildes diante de Deus.

Então, nessa passagem, Deus, em sua misericórdia, tira a atenção dos israelitas da orgulhosa suposição de serem privilegiados como escolhidos de Deus, e da preocupação que eles tinham com os adornos da religião. Estas coisas não atraem seu olhar ativo e gracioso, mas a humildade o faz.

Os olhos de Deus constituem um tema por toda a Escritura. Veja, por exemplo, as palavras de 2 Crônicas 16.9: “Porque, quanto ao Senhor, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele”. Obviamente, Deus não tem olhos físicos; “Deus é espírito” (João 4.24). Ele não precisa de olhos físicos porque é onisciente. Nada escapa à sua atenção. Ele está ciente de todas as coisas.

No entanto, embora conheça tudo, Ele procura por algo em particular, algo que atue como um ímã para capturar sua atenção, e O convide a se envolver conosco de forma ativa. Deus é, decididamente, atraído pela humildade. Uma pessoa humilde é aquela que atrai a atenção de Deus, e, neste sentido, atrair a atenção dEle também significa atrair sua graça – sua bondade imerecida. Pense nisto: há uma coisa que você pode fazer para atrair mais da força e ajuda graciosa, imerecida e sobrenatural de Deus!

Que promessa! Atente mais uma vez para esta passagem tão conhecida: “Deus… dá graça aos humildes” (Tiago 4.6). Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, Deus não auxilia “os que ajudam a si mesmos”, mas os que se humilham.

Essa é a promessa da humildade. Deus é, pessoal e providencialmente, defensor dos humildes. E a graça que Ele estende aos humildes é indescritivelmente valiosa. Jonathan Edwards escreveu: “Os prazeres da humildade são os mais refinados, íntimos e primorosos deleites no mundo”. O propósito deste livro é ajudá-lo a receber e experimentar esses excelentes prazeres.
Por C.J. Mahaney. © Sovereign Grace Ministries. Website: sovereigngraceministries.org
Excerto do Livro:
Humildade, Verdadeira Grandeza. Disponibilizado pela Editora Fiel

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Eu sou uma boa pessoa, isso não é o suficiente? - Mike McKinley



quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Devemos buscar o bem dos demais crentes - João Calvino

1. Como é extremamente difícil nos preocuparmos com o bem do nosso vizinho, a menos que deixemos de lado todas as considerações egoístas e esqueçamos de nós mesmos!

Como podemos levar a cabo os deveres que Paulo nos ensi­na como obras de amor, a menos que renunciemos a nós mes­mos e dediquemo-nos aos demais?

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria. não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interes­ses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade” (I Co 13,4-6).

2. Ainda que somente se nos ordenasse a não buscarmos nosso próprio benefício, deveríamos, contudo, seguir exercendo uma considerável pressão sobre nossa velha natureza, pois está tão fortemente inclinada a amar o próprio "Eu", que não estaria facilmente disposta a deixar de lado seus interesses egoístas.

Busquemos, outrossim, o benefício dos demais e ainda, de maneira voluntária, renunciemos a nossos direitos pelo bem de nosso próximo.

As Escrituras exigem de nós e nos advertem a considerarmos que qualquer favor que obtenhamos do Senhor, o temos recebido com a condição de que o apliquemos em benefício comum da Igreja.

Temos de compartilhar liberalmente e agradavelmente com todos e cada um dos favores do Senhor com os demais, pois isso é a única coisa que os legitima.

Todas as bênçãos de que gozamos são depósitos divinos que temos recebido com a condição de distribuí-los aos demais.

Não podemos imaginar uma incumbência mais apropriada a uma sugestão mais poderosa que essa.

3. De acordo com as Escrituras, nossos talentos pessoais devem ser comparados com os poderes conferidos aos membros do corpo humano.

Nenhum membro do corpo mantém sua força para si mes­mo, nem a aplica para seu uso exclusivo, mas somente para o proveito dos demais De igual modo, nenhum membro da Igreja recebe vantagens de sua própria atividade, mas através de sua cooperação tom a totalidade do corpo de crentes.

Qualquer habilidade que um fiel cristão tenha, deve dedi­cá-la ao serviço de seus companheiros crentes, como também submeter, com toda a sinceridade, seus próprios interesses ao bem-estar comum da Igreja.

Apropriemo-nos dessa regra com boa vontade e amabili­dade, para que quando tivermos a ocasião de ajudarmos os demais, possamos comportar-nos como quem, algum dia, dará conta de seus próprios atos, recordando sempre que a distri­buição dos benefícios se determinará em harmonia com a lei do amor.

Em primeiro lugar, não deveríamos intentar promover o bem dos demais, buscando o nosso próprio, mas, antes, preferir o bem dos outros pelo que isso significa em si mesmo.

4. A lei do amor não só concerne aos grandes benefícios, pois, desde a antiguidade, Deus nos tem ordenado que a recordemos e a ponhamos em prática mesmo nos pequenos favores da vida.

Deus ordenou ao povo de Israel que Lhe oferecesse os pri­meiros frutos de milho, como uma mostra solene de que lhe era ilegítimo gozar de uma bênção que primeiramente não houvesse sido oferecida a Ele.

Se os dons de Deus não são parte da nossa vida santificada e não os dedicamos com nossas próprias mãos ao seu autor, seríamos culpados de um abuso pecaminoso se deles descartásse­mos tal dedicação.


João Calvino

sábado, 27 de agosto de 2011

Doze razões porque ser membro de igreja é importante - Jonathan Lememan

1 – É bíblico. Jesus estabeleceu a igreja local, e todos os apóstolos realizaram seu ministério por meio dela. A vida cristã no Novo Testamento é uma vida de igreja. Hoje os cristãos devem esperar e desejar o mesmo.

2 – A igreja é seus membros. No Novo Testamento, ser uma “igreja” é ser uma de seus membros (leia Atos dos Apóstolos). E você quer ser parte da igreja porque foi ela que Jesus veio buscar e reconciliar consigo mesmo.

3 – Ser membro da igreja é um pré-requisito para a Ceia do Senhor. A Ceia do Senhor é uma refeição para a igreja reunida, ou seja, para os membros (veja 1 Co 11.20, 33). E você quer participar da Ceia do Senhor. O ser membro de igreja é a “camisa” que torna o time da igreja visível ao mundo.

4 – É a maneira de representar oficialmente a Cristo. Ser membro de igreja é a afirmação da igreja a respeito do fato de que você é um cidadão do reino de Cristo e, por isso, um representante autorizado de Jesus diante das nações. E você quer ser um representante oficial de Jesus. Intimamente relacionado a isto…

5 – É a maneira como o crente declara sua mais elevada lealdade. O fato de que você pertence ao time que se torna visível quando você veste a “camisa” é um testemunho público de que sua mais elevada lealdade pertence a Jesus. Provações e perseguição podem surgir, mas suas únicas palavras são: “Pertenço a Jesus”.

6 – É a maneira de incorporar e experimentar figuras bíblicas. É na estrutura de prestação de contas da igreja local que os cristãos vivenciam ou incorporam o que significa ser o “corpo de Cristo” , o “templo do Espírito”, a “família de Deus” e todas as outras metáforas bíblicas (veja 1 Co 12). E você quer experimentar a interconectividade do corpo de Cristo, a plenitude espiritual de seu templo, a segurança, a intimidade e a identidade comum da família de Deus.

7 – É a maneira de servir aos outros cristãos. Ser membro de igreja ajuda você a saber por quais cristãos, no planeta Terra, você é especificamente responsável para amar, servir, confortar e encorajar. Ser membro de igreja capacita você a cumprir suas responsabilidades bíblicas para com o corpo de Cristo (por exemplo, veja Ef 4.11-16; 25-32).

8 – É o meio de seguir os líderes cristãos. Ser membro de igreja ajuda-o a saber que líderes cristãos, no planeta Terra, você é chamado a seguir e obedecer. Também lhe permite cumprir sua responsabilidade bíblica para com eles (veja Hb 13.7, 17).

9 – Ser membro de igreja ajuda os líderes cristãos a liderar. Permite que eles saibam quais são, no planeta Terra, os cristãos pelos quais eles “hão de prestar contas” (At 20.28; 1 Pe 5.2).

10 – Ser membro de igreja capacita a disciplina eclesiástica. Dá a você o lugar prescrito biblicamente em que deve participar na obra de disciplina eclesiástica, de maneira responsável, sábia e amorosa (1 Co 5).

11 – Provê a estrutura para a vida cristã. Coloca a afirmação individual do cristão de “obedecer” e “seguir” a Jesus em um ambiente de vida real, no qual autoridade é realmente exercida sobre nós (veja Jo 14.15; 1 Jo 2.19; 4.20-21).

12 – Edifica um testemunho e convida as nações. Ser membro de igreja coloca o governo de Cristo em exibição para o mundo que nos observa (veja Mt 5.13; Jo 13.34-35; Ef 3.10; 1 Pe 2.9-12). Os próprios limites que são traçados ao redor do ser membro de igreja produz uma sociedade de pessoas que convida as nações a algo melhor.

Jonathan Lememan
Fonte: Blog Fiel 

sábado, 13 de agosto de 2011

Pra que outros possam viver, vale a pena morrer - Juliano Son


"Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos; pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus; antes, nos recomendamos à consciência de todo homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade. Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus. Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida." (2 Co 4.1-12)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Missões: Para a glória de Deus (Parte 2) - Josaías Jr.

Missões e Adoração

[Em algumas igrejas] é costume valorizar Missões como o propósito principal da igreja. É claro que a obra missionária é importantíssima, mas colocá-la em primeiro lugar diminui um pouco o que significa ser servo de Cristo, membro da igreja e parte da Nova Criação de Deus. Em geral, essa ideia pode levar irmãos e irmãs a considerarem suas outras ocupações atividades menores. É a velha separação entre vida secular e vida religiosa, como se apenas um lado glorificasse mais ao Salvador.

O Catecismo de Westminster nos lembra que o fim principal do homem é “glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. Fomos criados, em primeiro lugar, antes de existir igreja, Israel e mesmo da queda, para a glória de Deus. O ser humano foi feito para adorar o seu Criador em todas as áreas da vida – e também assim os redimidos farão eternamente. O que deve estar por trás de missões, da oração, do culto público, do trabalho, da arte, da família do cristão é a glória de Deus e a satisfação nele.

John Piper nos diz que as missões falham quando não há adoração – no sentido amplo de “fazer tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31) – porque a adoração é essencial:
“As missões não representam o alvo fundamental da igreja, a adoração sim. As missões existem porque não há adoração, ela sim é fundamental, pois Deus é essencial e não o homem. Quando esta era se encerrar e os incontáveis milhões de redimidos estiverem perante o trono de Deus, não haverá mais missões. Elas representam, no momento, uma necessidade temporária. Mas a adoração permanece para sempre”.
Piper quer dizer que se realmente glorificarmos, amarmos e nos deleitarmos com Deus, seu nome será anunciado de maneira clara, gloriosa e atraente. Se considerarmos o Senhor Jesus como o tesouro mais valioso, nosso bem mais querido, nossa maior alegria, desejaremos que outros o conheçam e desfrutem também da alegria que é conhecê-lo. Lesslie Newbigin, missionário escocês, vai mais além e afirma:
Missões começam com uma certa explosão de alegria. As notícias de que o Jesus rejeitado e crucificado está vivo é algo que não pode ser suprimido. Deve ser anunciado. Quem poderia permanecer em silêncio sobre tal falto?… No coração de missões está a ação de graças e o louvor… Missões é doxologia colocada em prática. Esse é seu segredo mais profundo. Seu propósito é que Deus possa ser glorificado.
Muitos esperam sentir algo especial por algum povo – seja para evangelizá-los, para contribuir com certo projeto, ou mesmo parar orar. Entretanto, Piper nos diz que, mesmo se não sentirmos “aquele amor” especial por alguma nação, por amor ao nome de Deus devemos fazer e contribuir com missões.

"E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna". (Mateus 19.29)

“Pelo qual recebemos a graça e o apostolado, por amor do seu nome, para a obediência da fé entre todos os gentios”. (Romanos 1.5)

Existe em nossas mentes o costume de separar obrigação de satisfação. De um lado estão aqueles que entendem que obedecer uma ordem tira o prazer e a espontaneidade de certo ato. É a turma do “filho pródigo”, do “proibido é mais gostoso”. Do outro, estão aqueles que pensam que satisfazer-se e alegrar-se em determinada tarefa nos transforma em egoístas. Devemos obedecer por obedecer. É o pessoal do “filho mais velho”. A Bíblia não faz essa distinção. Ela diz que feliz é aquele que tem prazer nos mandamentos de Deus. Que a busca da glória de Deus cumpre mandamentos e satisfaz a alma. Logo, Paulo pode dizer “ai de mim se não pregar” enquanto se alegra por ser preso graças ao Evangelho. É o exemplo do Filho, a vida de Cristo, que pela alegria e por obediência, derramou sua vida na cruz.

Assim, a glória de Deus deve ser a motivação e o alvo das missões. Por amor ao nome de Cristo, por obediência à sua Palavra, por nossa satisfação e alegria nele, deveríamos nos envolver mais e mais na obra missionária. Como disse Jim Elliot, “Não é tolo quem dá o que não pode manter para ganhar o que não pode perder”. Que essa seja a nossa convicção.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Missões: Para a glória de Deus (Parte 1) - Josaías Jr.

O que são Missões?

O texto básico da obra missionária encontra-se em Mateus 28 e é bastante conhecido.

"Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos". (Mateus 28.18-20)

O que chama atenção aqui é que essa é uma obra cristocêntrica. Note que a obra de missões baseia-se na obra e na autoridade de Cristo. Ela também tem como base o envio de Cristo pelo Pai (João 20.21). Ou seja, é uma obra que deve ser fundamentada em Cristo, não no homem. Muitas vezes as igrejas se esquecem disso e ignoram o verso 18, a base para o tão famoso “Ide”. A partir dessa omissão, surgem doutrinas que colocam o homem no centro, tanto como motivação para os chamados como o propósito final de missões.

A obra missionária tem uma mensagem que envolve fazer discípulos, isto é, ensinar sobre a obra de Cristo e a vida em Cristo. O alvo dessa atividade são todas as nações (conforme vimos em Apocalipse) e a certeza de que ela será vitoriosa é que aquele que tem toda a autoridade está conosco. Ou seja, do princípio ao fim, essa é uma obra centrada em Jesus Cristo.

Outro texto importante está em Atos 1.8:

"Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra".

Novamente, a missão envolve a autoridade de Cristo (como aquele que derrama o Espírito), a ação do Espírito Santo (capacitando os discípulos) e o alvo, que são todas as nações.

Um detalhe importante: aqueles que estão perto de nós também são alvo de missões, como “tanto em Jerusalém” nos ensina. Assim, todo cristão é um missionário. Ou, como disse Spurgeon, “todo cristão ou é um missionário ou é um impostor”. Estamos em missão, nas áreas em que atuamos, seja no trabalho, no parque, no café, na academia, na escola ou na faculdade. Até mesmo na igreja, dependendo do caso.
Não fomos feitos para nos sentir completamente à vontade neste mundo. Fomos feitos para estar no mundo, mas não dele. Nós estamos como um povo profético que tanto acolhe o forasteiro, e confronta o mundo com a rejeição do Deus que os criou. Precisamos ser uma comunidade que está cheia de amor para o mundo, e se empenha avidamente na tarefa de evangelização que Deus nos deu. (Adrian Warnock)
Tendo isso em vista, uma definição de Herman Bavinck nos ajudará a entender melhor essa atividade:
“Missões é aquela atividade da igreja, essencialmente nada mais do que a atividade de Cristo realizada por meio da igreja, pela qual a igreja, neste período intermediário, chama os povos da terra ao arrependimento e à fé em Cristo, de modo que se tornem seus discípulos e, pelo batismo, sejam incorporados à comunhão daqueles que esperam a vinda do Reino.”
Creio que ele resume bem e deixa claro que essa é uma “atividade de Cristo realizada por meio da igreja”. Não podemos esquecer: o “ide por todas as nações” é emoldurado pelo “toda a autoridade me foi dada” e pelo “estou convosco”. Antes do imperativo, o indicativo – e, nesse caso, depois também!

Não podemos esquecer: o “Ide por toda nação” é emoldurado por “Toda a autoridade me foi dada” e por “Estou convosco”.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sua procrastinacao é pecado - Joe Thorn

Por anos, fui um sério procrastinador. De fato, acho que poderia ter me profissionalizado (se fosse algo pago). Eu fazia o que muitos estudantes fazem, evitando seus compromissos até o último minuto. Mas, me justificava chamando isso de “gerenciamento de tempo” e mostrando uma grade horária rígida. É claro que isso não estava limitado a fazer trabalhos na faculdade. Era algo real em minha vida no geral. Em poucas ocasiões, e em alguns contextos diferentes, fui desafiado quanto à minha procrastinação. Mas ignorei todos esses desafios. Não achava ninguém convincente até que meu amigo Jonathan Edwards apareceu. Um dia, me assustei lendo seu tratado Procrastinação, ou, O Pecado e a Tolice de Depender do Tempo Futuro, e aquilo me esmagou da melhor maneira.

Por que procrastinação é errada? Edwards argumenta que a procrastinação desafia a graça de Deus, assumindo que ele nos deu um tempo futuro, quando, na verdade, nosso tempo pode ser curto. Não sabemos se teremos ou não um amanhã, então devemos sabiamente fazer o melhor com o tempo que Deus nos deu.

Isso exige que nós, por um lado, não dependamos do tempo futuro, enquanto, pelo outro, não concluamos que não temos amanhã. “Temos boas razões para não depender de outro dia, enquanto não temos razão para concluir que não viveremos mais um”. Ele diz:

…devemos viver cada dia tão conscientes e tão santos como se soubéssemos que é nosso último. Devemos ser cuidadosos todos os dias para evitar todo pecado, como se soubéssemos que naquela noite, nossa alma será pedida. Devemos ser cuidadosos de cumprir toda obrigação que Deus exige de nós…

Mas, em muitos outros aspectos, não somos obrigados a nos comportar como se concluíssemos que não vamos viver outro dia. Se tivéssemos razão para concluir que não viveríamos outro dia, algumas coisas que agora são obrigações não seriam nossas obrigações.

Procrastinação é um pecado feio, que nos afasta de envolver-se e desfrutar os dons e responsabilidades que Deus nos dá. Ele nos diz que podemos brincar com nossos filhos outra hora, levar nossa esposa para sair no próximo mês, ou terminar aquele projeto em algum momento mais para frente porque Deus nos deve um futuro. É um jeito de fugir das coisas que Deus nos chamou para fazer hoje.

A resposta não é simplesmente “pare de procrastinar”, mas viver com um senso de que hoje poderia ser nosso último dia, porém, também com o entendimento de que precisamos nos preparar para o amanhã que Deus deve nos dar. Isso significa que não desperdiçaremos tempo em pecado e tolice, nem abandonaremos trabalhos importantes e planejamento equilibrado. Significa que exultaremos e nos alegraremos no dia que o Senhor fez. Significa que faremos o que Deus nos deu para fazer, porque nisto glorificaremos e nos deleitaremos nele, enquanto somos fiéis a nosso chamado.

Joe Thorn

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo

sábado, 9 de julho de 2011

Casa Edificada na Rocha ou na Areia? - Scott Brown


"Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." (1 Co 1.20-25)
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