segunda-feira, 31 de março de 2014

O FRACASSO NO CASAMENTO DE JOHN WESLEY - por Nathan Busenitz*[i]




John Wesley (1703-1791) é conhecido na história da igreja como o fundador do Metodismo. Seu compromisso com o Evangelho Bíblico, seu zelo pela pregação do evangelho e sua habilidade em fazer com que o movimento Metodista brotasse são traços que merecem nossa atenção. Sem contar que essas habilidades foram as primeiras faíscas usadas por Deus para atear fogo na Inglaterra da metade do século XVIII, trazendo um avivamento evangelístico (avivamento esse paralelo ao Grande Despertamento na América do Norte). No que diz respeito a ser um homem que foi usado por Deus, existem muitas coisas que podemos aprender com o Exemplo de Wesley. Seu casamento, por outro lado, deixou um legado diferente, que é digno de ser levado em conta, mas não por bons motivos. John Singleton, um autor metodista, explica:


A história do casamento de John Wesley é uma narrativa cautelosa no diz respeito às raizes do Metodismo, e que merece destaque nos dias atuais especialmente na vida de casais onde os cônjuges se tornam tão envolvidos com as coisas da igreja que falham em dedicar tempo e espaço suficientes um para o outro.

 Wesley e Mary Vazeille, viúva e mãe de quatro filhos, casaram-se em 1751. Em 1758 ela o deixou, incapaz competir com o tempo e devoção de Wesley dedicados ao florescente Movimento Metodista. Molly, como era conhecida, voltou para Wesley, e deixou-o por várias vezes antes de se separarem definitivamente.

            Por causa das viagens constantes de seu marido,Molly se sentia cada vez mais negligenciada. Ela começou a sentir ciúmes de seu marido, que frequentemente estava fora de casa. Além disso, ela começou a suspeitar das relações amigáveis que Wesley mantinha com diversas mulheres que faziam parte do movimento Metodista. Wesley fez pouco para diminuir as suspeitas de sua esposa.

            Consequentemente, o casamento deles era cheio de empecilhos, revela Stephen Tompkins em sua biografia sobre a vida de Wesley. Aqui estão alguns breves episódios retratados no livro:


Quando Wesley fez uma viagem missionária à Irlanda em 1758, Molly relatou que as palavras com que seu marido a deixou foram as seguintes: ‘ Espero nunca mais ver sua cara perversa. Quando Wesley voltou para a Inglaterra, eles brigaram violentamente, pelo fato de Wesley ter se recusado a mudar seus hábitos de escrever cartas afetuosas para outras mulheres, o que fez com que Molly o acusasse de adultério e invocasse para ele todas as maldições de Gênesis à Apocalipse.


O único registro do casamento de Wesley com Molly é do mês de dezembro de 1760, quando ela disse que Wesley saiu mais cedo de uma reunião com uma mulher de nome Betty Disine, e ainda foi visto com ela na manhã seguinte. Molly  disse a ele, de maneira afetuosa, para desistir de correr atrás de outras mulheres pois o seu caráter está em jogo.

            Em 1771, Molly anunciou que estava deixando John outra vez. No dia 23 de Janeiro, a revista Journal registrou “Por uma causa desconhecida por mim, minha esposa partiu para New Castle com o propósito de nunca mais voltar. Eu não a rejeitei, eu não a mandei embora, e eu não vou atrás dela.”.  

            Muitos outros episódios como estes podem ser citados. Mas como o último trecho revela Wesley não estava triste pelo fato de que sua esposa foi embora. O transtorno no casamento deles começou três meses depois da cerimônia, e acabou em uma separação definitiva. O que é ainda mais triste é que Wesley só soube da morte de sua esposa quatro dias depois que ela morreu. Comentando sobre o casamento trágico do fundador do Metodismo, Singleton trás a seguinte questão:

A lacuna entre marido e mulher aumentou emocionalmente e fisicamente até um ponto de não ter mais volta. Se você tiver a oportunidade de visitar a Capela Wesley em Londres, você verá, entre os artefatos na casa de Wesley, sua escrivaninha cheia de compartimentos escondidos. Foi exatamente nesse móvel que Molly leu as cartas de Wesley para suas ‘queridas irmãs’, interpretando e construindo de forma errada a linguagem enfeitada que denotava afeição, o que serviu de combustível para aumenta as chamas do ciúme.


O fracasso no casamento de Wesley é algo triste, porém nos trás a ideia da humanidade dele. Nessa ocasião, e em muitas outras, Wesley revela suas lutas interiores acontecendo por trás de seu regime implacável de viagens, trabalho pastoral e pregação da palavra. Tem que haver uma lição para todos nós ai.


De fato, o fracasso no casamento de Wesley se configura em um aviso sóbrio para qualquer homem que pretende ser pastor, e para os que já são. Para aqueles que se sentem tentados a confundir as prioridades dadas por Deus, o exemplo negativo de Wesley nessa área de vida conjugal deve ser um poderoso chamado para despertar. A Palavra de Deus estabelece padrões elevados para aqueles que são líderes de alguma igreja. Entre as qualificações para ser líder está uma vida familiar estruturada.

            Como eu costumo lembrar meus alunos nas aulas do seminário, você pode perder seu ministério e manter seu casamento, mas você não pode perder seu casamento e manter seu ministério.







[i] * Nathan Busenitz  serve como Pastor Na Grace Church ( Igreja da Graça)  e ensina teologia no Seminário  em Los Angeles
extraído de http://thecripplegate.com/john-wesleys-failed-marriage-reprise/ e traduzido por Carolyne Silva, aluna do 6º período do curso de Letras Língua Inglesa -UFCG.

terça-feira, 25 de março de 2014

15 Sugestões para pregadores


  1. Pregue doutrinariamente: Não só ensine doutrinas Bíblicas como a justificação e santificação nas reuniões de Domingo pela manhã. Pregue tais doutrinas também em reuniões de louvor e adoração.
  2. Pregue de forma discriminatória: se dirija tanto a crentes como não crentes em sua pregação. Não pense que todo mundo em sua congregação está salvo, mas também não pense que ninguém é salvo.
  3. Pregue de forma aplicável: Aplique o texto abordado aos seus ouvintes. Ajude-os a aplicar a mensagem em sua vida diária, usando, por exemplo, ilustrações práticas. Lembre-se que um sermão sem aplicação é igual a uma palestra. Você está pregando a Palavra de Deus, e não dando uma palestra.
  4. Pregue com clareza: Organize seus pensamentos. Evite palavras de significado complexo. Leve em consideração que existem crianças em sua congregação. Se você tiver que usar uma palavra significativa para a pregação, como Justificação, explique usando palavras de fácil entendimento.
  5. Pregue de forma a expor o evangelho: Sim, pregue contra o pecado, mas não pare aí. Pregue sobre salvação também. Se você pregar assuntos concernentes a Lei e não pregar o Evangelho, você vai causar desespero em seus ouvintes. Além disso, não pense que o Evangelho é endereçado apenas à não crentes. Cristãos também precisam do Evangelho para sua santificação.
  6. Pregue com poder: Pregue com a unção do Espirito Santo, como o apostolo Paulo disse: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa, fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus” ( 1 Cor. 2:4,5)
  7. Pregue em oração: Ore antes, durante e depois de sua pregação. Seja humilde e reconheça que sem a ajuda de Deus você não pode fazer nada. Reconheça que só Deus pode mudar os corações de seus ouvintes.
  8. Pregue com expectativa: Lembre que para Deus nada é impossível. Tenha esperança de que Deus fará coisas tremendas – salvando os pecadores e santificando os santos – confie que a palavra de Deus não voltará para Ele vazia. Ele pode até usar sua pior pregação para realizar o Seu mais perfeito plano.
  9. Pregue persuasivamente: Mostrar que o que você está a proclamar é a Palavra de Deus. Anunciar “ Assim diz o SENHOR” . Além disso, não tenha medo de proclamar as verdades de Deus, mesmo que ao fazê-lo alguns dos seus ouvintes talvez se sintam ofendidos.  Você prega para agradar a Deus e não aos homens.
  10. Pregue apaixonadamente: Não ame apenas pregar, mas ame aqueles para quem vocês estão pregando. Se você ama a sua congregação, você irá alimentá-los com alimento espiritual nutritivo.
  11. Pregue com fidelidade: Seja fiel aos textos usados na pregação.  Não leia o texto apenas e depois o deixe de lado. Use o texto. Exponha-o.  Pregue a partir dele.
  12. Pregue com seriedade: Pregue dessa forma porque a palavra que você está pregando é sagrada. O Deus que te chamou para pregar é Santo. Sua mensagem é uma questão de vida e morte, céu e inferno.  Assim, piadas não têm lugar no púlpito. Pregadores não são animadores.
  13. Pregue de forma Cristocêntrica. Aprenda com Paulo que disse: “ Eu (...) fui ter convosco , anunciando-vos  o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria . Porque decidir nada saber entre vós senão a Cristo e este crucificado. “ ( 1 Cor 2: 1,2) Nas palavras do pregador Puritano William Perkins (1558- 1602) “ Pregue o Cristo, por Cristo, para glória de Cristo.”]
  14. Pregue exemplarmente: Viva o que você prega. Demonstre santidade, não hipocrisia. Reconheça juntamente com Robert Murray M’Cheyne (1813-1843) “ A maior necessidade do meu povo é a minha santidade pessoal”.
  15. Pregue Soli Deo Gloria: O seu objetivo final na pregação é glorificar a Deus. Nunca tente tomar a glória que pertence somente a Deus. Cante com Fanny J. Crosby (1820- 1915) “À Deus seja a glória, grandes coisas Ele fez”.
Oh Senhor, ajude-me a pregar! 

Texto extraído de http://biblicalspirituality.wordpress.com/2014/03/06/15-pointers-for-preachers/?blogsub=confirming#blog_subscription-3.

Tradução de  Carolyne Silva, aluna do 6º período do curso de Letras Língua Inglesa -UFCG.

P.S. Este é o primeiro trabalho que a Missão Federal realizou na traduções de texto, com a finalidade de disponibilizar textos de qualidades para a língua portuguesa e produzir a edificação do corpo de Cristo.

Soli Deo Glória!

sábado, 15 de março de 2014

Solus Christus (2) -Série 5 Solas - Joel Beeke

A teologia reformada afirma que a Escritura e sua doutrina sobre a graça e fé enfatizam que a salvação é solus Christus, “somente por Cristo”, isto é, Cristo é o único Salvador (Atos 4:12). B.B. Warfield escreveu: “O poder salvador da fé reside, portanto, não em si mesma, mas repousa no Salvador Todo Poderoso”.
A centralidade de Cristo é o fundamento da fé protestante. Martinho Lutero disse que Jesus Cristo é o “centro e a circunferência da Bíblia” — isso significa que quem ele é e o que ele fez em sua morte e ressurreição são o conteúdo fundamental da Escritura. Ulrich Zwingli disse: “Cristo é o Cabeça de todos os crentes, os quais são o seu corpo e, sem ele, o corpo está morto”.
Sem Cristo, nada podemos fazer; nele, podemos fazer todas as coisas (João 15:5; Filipenses 4:13). Somente Cristo pode trazer salvação. Paulo deixa claro em Romanos 1-2 que, embora haja uma auto-manifestação de Deus além da sua obra salvadora em Cristo, nenhuma porção de teologia natural pode unir Deus e o homem. A união com Cristo é o único caminho da salvação.
Nós precisamos urgentemente ouvir solus Christus em nossos dias de teologia pluralista. Muitas pessoas hoje questionam a crença de que a salvação é somente pela fé em Cristo. Como Carl Braaten diz, eles “estão voltando à velha e falida forma de abordagem cristológica do século XIX, do liberalismo protestante, e chamando-a de “nova”, quando, na verdade, é pouco mais que uma “Jesusologia” superficial”. O resultado final é que, atualmente, muitas pessoas, como H.R. Niebuhr disse em sua famosa frase a respeito do liberalismo — proclamam e adoram “um  Deus sem ira, o qual trouxe homens sem pecado para um reino sem julgamento por meio de ministrações de um Cristo sem a cruz”.
Nossos antepassados reformados, aproveitando uma perspectiva que rastreia todo o caminho de volta aos escritos de Eusébio de Cesaréia, no século IV, acharam útil pensar a respeito de Cristo como Profeta, Sacerdote e Rei. A Confissão Batista de Londres de 1689, por exemplo, coloca isso da seguinte forma: “Cristo, e somente Cristo, está apto a ser o mediador entre Deus e o homem. Ele é o profeta, sacerdote e rei da igreja de Deus” (8.9). Observemos mais detalhadamente esses três ofícios.
Cristo, o Profeta
Cristo é o Profeta que precisamos para nos instruir nas coisas de Deus, a fim de curar a nossa cegueira e ignorância. O Catecismo de Heidelberg o chama de “nosso principal Profeta e Mestre, que nos revelou totalmente o conselho secreto e a vontade de Deus a respeito da nossa redenção” (A. 31). “O Senhor, teu Deus”, Moisés declarou em Deuteronômio 18:15, “te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás”. Ele é o Filho de Deus, e Deus exige que nós o escutemos (Mateus 17:5).
Como o Profeta, Jesus é o único que pode revelar o que Deus tem planejado na história “desde a fundação do mundo”, e que pode ensinar e manifestar o real significado das “escrituras dos profetas” (o Antigo Testamento, ver Romanos 16:25-26). Podemos esperar progredir em nossa vida cristã apenas se dermos ouvidos à sua instrução e ensino.
Cristo, o Sacerdote
Cristo é também o Sacerdote—nosso extremamente necessário Sumo Sacerdote que, como diz o Catecismo de Heidelberg: “pelo sacrifício de Seu corpo, nos redimiu, e faz contínua intercessão junto ao Pai por nós” (A. 31). Nas palavras da Confissão Batista de Londres de 1689 “por causa do nosso afastamento de Deus e da imperfeição de nossos melhores serviços, precisamos de seu ofício sacerdotal para nos reconciliar com Deus e nos tornar aceitáveis por ele” (8.10).
A salvação está somente em Jesus Cristo, porque há duas condições que, não importa o quanto nos esforcemos, nunca poderemos satisfazer. No entanto, elas devem ser cumpridas se estamos para ser salvos. A primeira é satisfazer a justiça de Deus pela obediência à lei. A segunda é pagar o preço de nossos pecados. Nós não podemos cumprir nenhuma dessas condições, mas Cristo as cumpriu perfeitamente. Romanos 5:19 diz: “ por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”. Romanos 5:10 diz: “nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho”. Não há outra maneira de entrar na presença de Deus a não ser por meio de Cristo somente.
O sacrifício de Jesus ocorreu apenas uma vez, mas ele ainda continua sendo nosso grande Sumo Sacerdote, aquele através do qual toda a oração e louvor são feitos aceitáveis a Deus. Nos lugares celestiais, ele continua sendo nosso constante Intercessor e Advogado (Romanos 8:34; 1 João 2:1). Não é de se admirar, então, que Paulo diz que a glória deve ser dada a Deus “por meio de Jesus Cristo pelos séculos dos séculos” (Romanos 16:27). O gozo de achegarmo-nos a Deus pode crescer apenas por uma confiança profunda nele como nosso sacrifício e intercessor.
Cristo, o Rei
Finalmente, Cristo é o Rei, que reina sobre todas as coisas. Ele reina sobre sua Igreja por meio de seu Espírito Santo (Atos 2:30-33). Ele soberanamente dá o arrependimento ao impenitente e concede perdão ao culpado (Atos 5:31). Cristo é “o nosso Rei eterno que nos governa por sua Palavra e Espírito, e que defende e preserva-nos no gozo da salvação que ele adquiriu para nós” (O Catecismo de Heidelberg, P&R.31). Como o Herdeiro real da nova criação, ele nos levará a um reino de eterna luz e amor.
Neste sentido, podemos concordar com João Calvino quando ele diz: “Nós podemos passar pacientemente por esta vida com sua miséria, frieza, desprezo, injúrias e outros problemas—satisfeitos com uma coisa: que o nosso Rei nunca nos deixará desamparados, mas suprirá as nossas necessidades, até que, ao terminar nossa luta, sejamos chamados para o triunfo”. Podemos crescer na vida cristã apenas se vivermos obedientemente sob o domínio de Cristo e pelo seu poder.
Se você é um filho de Deus, Cristo em seu tríplice ofício como Profeta, Sacerdote e Rei significará tudo para você. Você ama solus Christus? Você o ama em sua pessoa, ofícios, naturezas e benefícios? Ele é o seu Profeta para ensinar-lhe; o seu Sacerdote para sacrificar e interceder por você e lhe abençoar, e o seu Rei para governá-lo e guiá-lo?
Depois de uma execução empolgante da Nona Sinfonia de Beethoven, o famoso maestro italiano Arturo Toscanini disse à orquestra: “Eu não sou nada. Você não é nada. Beethoven é tudo”. Se Toscanini pode dizer isso sobre um compositor brilhante, mas que está morto, quanto mais os cristãos devem dizer o mesmo sobre o Salvador que vive, o qual, no que diz respeito à nossa salvação, é o compositor, músico e até mesmo a própria bela música.

extraído de http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/608/Solus_Christus

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Sola FIDE (1) - Série 5 Solas - Por J. V. Fesko


Em 1647, um grupo de pastores e teólogos reformados reunidos na Abadia de Westminster, em Londres, elaborou um conjunto de documentos que hoje conhecemos como os Padrões de Westminster, que incluem a Confissão de Fé, o Catecismo Maior e o Breve Catecismo. Os teólogos procuraram sistematizar o ensino reformado a fim de criar uma igreja Reformada unificada nas Ilhas Britânicas. Na pergunta e resposta 33 do Breve Catecismo, eles resumem um dos principais pilares da tradição reformada:
O que é a justificação? Justificação é um ato da livre graça de Deus, através da qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos diante de si, somente pela justiça de Cristo a nós imputada e recebida pela fé somente.
Incluída nesta breve declaração está a ideia de que os pecadores são justificados sola fide - somente pela fé. Mas o que significa sola fide? Antes de mergulhar em seu significado, um pouco de contexto histórico é essencial para entender a sua importância. Uma pessoa só pode apreciar verdadeiramente uma luz brilhante contra o pano de fundo da escuridão.
Um Pano de Fundo das Trevas
Quando Martinho Lutero pregou suas Noventa e Cinco Teses na porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, em 1517, demorou algum tempo para que as implicações da sua ação reverberassem ao longo da história. O fruto de seu trabalho emergiu em algumas confissões luteranas e reformadas, as quais afirmaram que os pecadores são declarados justos aos olhos de Deus, não com base em suas próprias boas obras, mas somente pela fé, somente em Cristo e pela graça de Deus somente - sola fide, solus Christus esola gratia. A Igreja Católica Romana foi compelida a responder, e o fez no famoso Concílio de Trento, quando realizou uma série de pronunciamentos sobre a doutrina da justificação em sua sexta sessão, em 13 de janeiro de 1547.
Dentre os muitos pontos que Roma apresentou, vários deles reivindicações-chave, os principais foram: (1) que os pecadores são justificados pelo seu batismo, (2) que a justificação é pela fé em Cristo e pelas boas obras de uma pessoa, (3) que os pecadores não são justificados unicamente pela justiça imputada de Jesus Cristo, e (4) que uma pessoa pode perder sua posição de justificação. Todos esses pontos se fundem na seguinte declaração:
Se alguém disser que o pecador é justificado somente pela fé, ou seja, que não é necessária nenhuma outra forma de cooperação para que ele obtenha a graça da justificação e que, em nenhum sentido, é necessário que ele faça a preparação e seja eliminado por um movimento de sua própria vontade: seja anátema. (Canon IX)
A Igreja Católica Romana claramente condenou a sola fide - não confessou que os pecadores são justificados somente pela fé.
Uma Luz na Escuridão
Em contraste com esse pano de fundo, podemos apreciar como o Breve Catecismo define biblicamente a doutrina da justificação e explica o que é sola fide. Para Roma, os pecadores são justificados pela fé e obras. Sua doutrina da fé é introspectiva - uma pessoa deve olhar para dentro de suas próprias boas obras, a fim de ser justificado. O Breve Catecismo, por outro lado, argumenta que a fé é extrospectiva - os pecadores olham para fora de si, para a obra perfeita e completa de Cristo para a sua justificação. Mas o que, especificamente, os pecadores recebem somente pela fé?
O primeiro benefício da justificação é que Deus perdoa todos os nossos pecados passados, presentes e futuros. Os teólogos mencionam a citação que Paulo fez do Salmo 32: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto” (Romanos 4:7,  Salmo 32:1). O segundo benefício da justificação é a aceitação do pecador como justo aos olhos de Deus "apenas pela justiça de Cristo imputada a nós". Ter o status de “justo” conferido a si mesmo é bastante surpreendente. Quando um juiz declara uma pessoa inocente, isso simplesmente significa que ele não é culpado de ter quebrado a lei. Mas, se um juiz declara uma pessoa justa, significa que não somente ela é inocente de violar a lei, mas também que ela cumpriu a exigência da lei. Tomemos como exemplo o roubo. Para uma pessoa ser justa nesse caso, ela deve abster-se de roubar. Mas, além disso, ela também deve proteger os bens dos outros. Ela deve atender as demandas negativas e positivas da lei contra o roubo. Por justificação, um pecador é aceito como justo, não por uma parte da lei, mas por toda a lei - cada mandamento, cada jota e til. Ele é contado como aquele que guardou todas as dimensões de toda a lei. De onde surge essa justiça?
A justiça, ou obediência, pertence a Cristo. Os teólogos citam duas passagens-chave das Escrituras para fundamentar a imputação, ou confirmação, da justiça de Cristo para o crente. Primeiro, eles citam 2 Coríntios 5:21:“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. De acordo com as Escrituras, Cristo era o Cordeiro imaculado, perfeito e sem pecado (1 Pedro 1:19; Hebreus 4:15). Ainda, Cristo carregou o pecado do seu povo - foi imputado a ele e ele o carregou. A maneira pela qual Cristo foi imputado com o nosso pecado para que ele pudesse suportar a maldição da lei (imputação) é a mesma maneira pela qual recebemos a perfeita obediência de Cristo - seu cumprimento de todas as exigências da lei. Os teólogos citam Romanos 5:19 para este efeito: “Porque, como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim, pela obediência de um só homem muitos serão constituídos justos” (versão do autor). A desobediência de Adão foi imputada a todos os que estão unidos a ele, e a obediência de Cristo, o último Adão, é imputada a todos aqueles unidos a Jesus (1 Coríntios. 15:45).
Nunca os dois devem se encontrar
Se já não estiver aparente, a visão dos teólogos de Westminster sobre a justificação é diametralmente oposta à visão da Igreja Católica Romana. Para Roma, a justificação do pecador é uma tentativa de alquimia doutrinária, tentando misturar as obras de Cristo com as do crente, a fim de produzir o ouro da justificação. A teologia reformada, por outro lado, sistematizada no Breve Catecismo Menor e refletindo o ensino das Escrituras, repousa a justificação do pecador somente sobre a obra de Cristo. O único meio pelo qual a perfeita obra de Cristo é recebida é pela fé somente - sola fide. Nós não temos outra embaixada de paz para encontrar abrigo da justa ira de Deus, a não ser na perfeita justiça e sofrimento de Cristo, e não há outra ponte entre o homem e Cristo, somente a fé.

Tradução: Isabela Siqueira. Revisão: Renata do Espírito Santo – © Ministério Fiel. Todos os direitos reservados. Website: www.MinisterioFiel.com.br. Extraído de: http://bit.ly/1cxiPQE

domingo, 13 de outubro de 2013

Versículos, versículos, versículos, é disso que precisamos

Hoje tive uma experiência que me deixou triste. Fui a procura de uma igreja aqui no bairro onde estou morando em João Pessoa. A primeira igreja que visitei estava fechada, não havia mais EBD a despeito de haver na placa indicando aquele horário. Depois andei mais um pouco a procura de outra e encontrei. Entrei, perguntei pela sala dos jovens e me enviaram por acidente a sala dos juvenis (de 15 a 17 anos). Assisti a aula. No entanto, fiquei me perguntando o tempo todo: esses jovens estão sendo preparados para enfrentar a faculdade? A resposta me veio na mente: Não. Por Deus, eu entrei na faculdade com 17 anos, a idade de muitos dessa classe - eu pensei. Na lição havia pouco do evangelho, havia pouco da bíblia, havia pouco da maturidade para encarar a universidade, havia pouco do raciocínio lógico próprio da Teologia, havia pouco do preparo necessário para encarar a vida cristã. Me preocupei, fiquei triste, o coração doeu. É a igreja de Cristo! São as pessoas pelas quais Cristo morreu, e as quais precisam receber alimento sólido, eu pensei. É triste ter que escutar, ou ouvir que um irmão nosso haverá de escutar a advertência de Hebreus: 

"Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal" (Hebreus 5.12-14).

Precisamos mais da exposição da bíblia. Não há nada mais poderoso do que o conhecimento das Escrituras para nos fazer santos. Podemos escutar alguém nos dizer o que devemos fazer, mas para um crente nada é tão poderoso quanto escutar: Assim diz o Senhor! E somente quando abrimos a nossa bíblia é que podemos encontrar Deus falando assim. Não há nada mais poderoso do que saber o que deve ser feito, o porque e com quais motivações. A bíblia nos apresenta isso, e tudo isso é necessário. Mas também só ela apresenta, haja vista tudo quanto devemos fazer encontrar uma motivação primeira e última em realidades espirituais. 

Spurgeon certa vez escreveu: 

"Já vimos as doutrinas da graça produzirem excelente moralidade, séria integridade, delicada pureza, e, mais ainda, devota santidade. Vemos consagração na vida, calma resignação na hora do sofrimento, alegre confiança no que se refere à morte, e todas essas coisas, não em poucos casos, em geral, são resultado da fé inteligente nos ensinos das Escrituras. 

Alguns têm pregado boas obras até que dificilmente sobre uma pessoa decente na igreja, enquanto outros pregam a graça e amor vicário de tal modo que pecadores se tornam santos, e santos se tornam galhos carregados de frutos para o louvor e a glória de Deus".

Não podemos nos esquecer que o nosso Mestre nos ensinou que somos santificados na verdade da palavra (João 17:17).

Você pode estar se perguntando por que eu compartilhei isso. Eu abomino a critica à igreja por parte daqueles que não a amam, que não possuem um real desejo de vê-la frutificar. Não quero ser uma pessoa assim. A razão é porque vejo que a Missão Federal tem sido coluna e baluarte da verdade (1 Tm 3.15). E ela precisa continuar sendo, sempre. Sei que de lá sairá bons líderes, pessoas que ensinarão em suas igrejas, cuidarão de crianças, adolescentes e jovens. Tenho essa fé no meu coração. No entanto, ao fazê-lo, lembrem-se do que aprenderam, da necessidade de serem bons expositores da Escrituras, de alimentar o rebanho a quem Deus haverá de lhes confiar com fidelidade, amor e confiança no poder que há somente nas Escrituras. Não se satisfaçam até terem a certeza que tudo quanto é pregado está recheado da verdade extraída da Bíblia. 

Versículos, versículos, versículos, é disso que precisamos. Fidelidade, fidelidade, fidelidade, é isso que almejamos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Uma breve teologia do sono - John Piper

5 horas da manhã. Na manhã de domingo o mundo não é escuro, mas também não há cor. Tudo é preto, branco e cinza, exceto a luz laranja na garagem do outro lado da rua, que brilha através da janela do meu quarto. Não há brisa, e as folhas de álamo são capturadas como uma fotografia em silêncio. As estrelas se foram, mas o sol não surgiu de todo; por isso, você não pode dizer se o céu está nublado ou claro. Muito em breve saberemos.
Sento na beira da minha cama tentando desenvolver uma teologia do sono. Por que Deus nos projetou de tal forma que tivéssemos necessidade de sono? Dormimos durante um terço das nossas vidas. Apenas pense nisso: gastamos um terço das nossas vidas como mortos. Basta pensar em tudo o que está sendo deixado de lado, mas que poderia ser feito, se Deus não tivesse nos projetado para precisar de sono. Certamente não há dúvida que ele poderia ter nos criado com nenhuma necessidade de sono. E apenas pense: todos poderiam se devotar a duas carreiras, e não sentir-se cansado. Todo mundo poderia ser um “obreiro cristão em tempo integral” e ainda manter o seu trabalho. Poderíamos nos envolver em muitas coisas dos negócios do nosso Pai.

Por que Deus imaginou o sono? Ele nunca dorme! Ele teve a ideia do nada. Deus criou o sono pensando nas suas criaturas terrenas. Mas por quê? O Salmo 127.2 diz: “Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem”. De acordo com esse texto, o sono é um dom de amor, e um dom que é frequentemente desprezado pela labuta ansiosa. Um sono tranquilo é o oposto da ansiedade. Deus não quer que seus filhos sejam ansiosos, mas que confiem nele. Portanto, concluo que Deus criou o sono como um lembrete contínuo de que não deveríamos ficar ansiosos, mas descansar nele.
Sono é um lembrete diário, da parte de Deus, de que não somos Deus. “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4). Mas Israel dormirá. Não somos Deus! Uma vez ao dia Deus nos envia para a cama como pacientes com uma doença. A doença é a tendência crônica de pensar que estamos no controle e que nosso trabalho é indispensável. Para nos curar dessa doença Deus nos transforma em sacos indefesos de areia uma vez por dia. Quão humilhante ao executivo corporativo autossuficiente ter que entregar todo o controle e ficar tão mole quanto um lactente todo dia.
O sono é uma parábola que Deus é Deus e nós meros homens. Deus cuida do mundo numa boa enquanto o hemisfério dorme. O sono é como um disco quebrado que toca a mesma mensagem todos os dias: O homem não é soberano. O homem não é soberano. O homem não é soberano. Não deixe que a lição se perca em você. Deus quer que confiemos nele como o grande trabalhador que nunca se cansa e nunca dorme. Ele não fica impressionado com as nossas noites acordadas nem quando madrugamos cedo; mas ele se deleita com a confiança tranquila que lança toda a ansiedade nele e dorme.
Em busca do descanso,
Pastor John
(Fonte)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

CONHECENDO A FAMÍLIA DE JESUS (MC 3.31-35) - Por Otniel Cabral Ramos


Nisto, chegaram sua mãe e seus irmãos e, tendo ficado do lado de fora, mandaram chamá-lo. Muita gente estava assentada ao redor dele e lhe disseram: Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura. Então, ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, correndo o olhar pelos que estavam assentados ao redor, disse: Eis minha mãe e meus irmãos. Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.


       I.            A FAMÍLIA CONSANGUÍNIA DE JESUS (V31)

O relacionamento dessas pessoas ao longo da história tem sido alvo de discursões e como frutos destas, temos algumas afirmações:

1.        Meios-irmãos. Eles “eram meios-irmãos, filhos de um casamento anterior de José, Essa teoria, que foi desenvolvida por homens como Orígenes, Eusébio e Epifânio, está baseada na conjectura de que José era consideravelmente mais velho que Maria[1]” (p. 982).
2.        Frutos de um casamento levirato. “Um ponto de vista semelhante postula que os irmãos eram filhos de José por intermédio de um casamento levirato com uma viúva de Clopas, seu irmão” (idem).
3.        Primos de Jesus. A afirmação da Igreja Católica é que estes eram primos de Jesus[2], alguns argumentos que sustentam estas afirmações:
A palavra irmão, aqui tem o significado de primo ou parente próximo, pois a língua hebraica não possui a palavra primo.
A mãe de Jesus tinha uma parenta que se chamava também Maria, casada com Cleófas (João 19,25).
Judas era irmão de Tiago. De fato lemos: “Judas, irmão de Tiago” (Judas 1 e Lucas 6,16) todos eles eram primos de Jesus, ou parentes próximos, como Simão pelo mesmo motivo.
Primos ou parênteses de Jesus, “pois três desses “Irmãos de Jesus”, têm seus pais nomeados na Bíblia. Vejamos: o 1º é Tiago. É ele, segundo (Gálatas 1,19), Tiago Apóstolo, o Menor (Marcos 15,40), cujo pai é Alfeu (Mateus 10,3); o 2º, José, é irmão carnal de Tiago, pois ambos são filhos de uma das três Marias que estiveram ao pé da Cruz (Mateus 27,56), e cujo irmão pai é também Alfeu; o 3º é Judas, o Tadeu, que também é irmão de Tiago (Judas 1,1). Seu pai é também Alfeu. São Lucas o chama “Judas de Tiago” ou seu irmão (Lucas 6,16)”.
Exemplo bíblico em que os parentes são chamados de irmão:
Abraão e Ló (Gênesis 13,8)
4.        O termo primogênito “é termo jurídico da Bíblia que tem significado bem determinado: é o primeiro filho, quer venha outro ou não. Não se esperava por outro filho para que o 1º fosse tido e tratado como primogênito a vida toda”.
A afirmação bíblica é que estes eram meios-irmãos de Jesus, tendo em vista que eles nasceram após Jesus.

O ponto um e o dois acima relatados não tem muita sustentação, no entanto, o três é o mais divulgado e amplamente aceito pela Igreja Católica, vejamos algumas objeções[3]:

1.    O Novo Testamento foi escrito em grego, não em hebraico, quando se é utilizado à palavra primo em passagens no NT sua compreensão é clara, pois, segundo o dicionário Vine, o termo grego que significa primo (anepsios), é usado na relação de Barnabé e Marcos (Cl 4.10), e em nenhuma outra passagem bíblica  este termo é usado para os irmãos de Jesus[4] (p.898).
2.      O termo utilizado para se referir as irmãs de Jesus (Mt 13.56), no grego adelphe, denota relação natural, sendo empregado em outra passagem também, Mt 19.29[5] (p. 723).
3.      O termo grego irmão (adelpho) significa “irmão” ou “parente próximo”. Com relação ao texto de Mt 13.55, diz respeito filhos de uma mesma mãe, portanto, são irmãos[6] (p.723).
4.      Não é possível identificar os irmãos descrentes de Cristo (Jo 7.5) com os apóstolos;
5.      As Escrituras fazem uma clara distinção entre os irmãos de Cristo e os apóstolos (Jo 2.12; At 1.13,14).
6.      Várias passagens apresentam os irmãos de Jesus e sua família (Mt 12.46, 47; Mc 6.3; Lc 8.19, 20; Jo 2.12; 7.3, 5, 10; At 1.14).
7.      É muito significativo que estejam associados à mãe de Jesus (Mt 13.55,56; Jo 2.12; At 1.14).
8.      Lucas ao escrever o seu evangelho enfatiza que Jesus era o primogênito (Lc 2.7). Esse ponto por si só não é forte, no entanto, com os demais o é.
9.      E que José não havia conhecido a Maria até que deu a luz a seu filho (Mt 1.25) [7]. O termo conhecer aqui tem o significado de intimidade sexual (p 314) [8].

Portanto o que podemos concluir é que de fato, Jesus tinha irmãos e irmãs.

    II.            JESUS APROVEITA A INTERRUPÇÃO PARA ENSINAR (3.32). Jesus aproveitou outras situações em que foi interrompido para operar milagre e proclamar o reino de Deus mediante o ensino: quando ele estava orando (1.35), falando a uma multidão (2.1ss), dormindo no barco (4.37ss), conversando com os seus discípulos (8.31ss) ou viajando (10.46ss).
 III.            A VONTADE DE DEUS EM PRIMEIRO LUGAR (33,34). Jesus ensina que assim como ele faz a vontade de Deus, deve todos fazer a vontade de Deus.  Buscar fazer a vontade de Deus deve ser uma primazia (Mt 6.33; 10.37; Lucas 14.26). Por isso Jesus não consentiu que sua mãe o desviasse da missão a qual devia fazer (21) nem tampouco que o seus irmãos o interferissem (Jo 7.2ss).

Maria errou mais uma vez em não compreender a vontade de Deus para o seu filho. “Mas como aconteceu em João 2.3, onde Maria rapidamente reconheceu o seu erro, e foi fortalecida em sua fé (Jo 2.5), pela palavra carinhosa, mas de reprimida, que Jesus lhe disse (Jo 2.4), não é razoável pensar que o mesmo aconteceu nesse caso, ao ouvir as palavras do Salvador (3.33-35)? Não temos nenhuma razão para crer que a fé de Maria, que se expressa belamente em Lucas 1.38, 46-55; 2.19, 51, não tenham triunfado pela graça de Deus, sobre todas as derrotas temporárias. O texto de Atos nos mostra, claramente, que, ao final, não só Maria, mas também os irmãos de Jesus compartilharam os louros da vitória” (p. 187).

 IV.            JESUS MOSTRA QUE TODOS QUE FAZEM A VONTADE DE DEUS SÃO PARTES DA FAMÍLIA DE DEUS (V35).
No texto do versículo 35 o chamado é geral, com uma exceção, fazer a vontade de Deus, ou seja, ele é inclusivo e exclusivo.
1.      O inclusivo (qualquer). Raça, sexo, etnia, condição social etc.
Na nova criação há um novo relacionamento com o Pai que está no céu (Mt 23.9).
A igreja torna-se a família ou a casa de Deus (Ef 2.19; 1 Tm 3.15; Hb 3.6; 1 Pe 4.17).
Jesus chama aqueles que são salvos de irmãos (Hb 2.11).
Tornamo-nos parte de uma só família (Gl 6.10)

2.      O exclusivo (qualquer que faz a vontade de Deus). A essência do que Deus quer é visto no livro de Marcos, vejamos:
a.       Ouvidos atentos (4.9. 20. 24);
b.      Anunciar o evangelho de Cristo (5.19; 13.10);
c.        Não viver uma vida de práticas do Pecado (5.34);
d.      Descanso em Jesus (6.31);
e.       Servir aos outros, ou seja, uma vida de serviço (6.37; 9,35-37; 10.42-45);
f.       Uma vida de renúncia (8.34-38);
g.      Uma vida de fé nas promessas de Deus (9.23; 11. 22-26; 30-31);
h.      Uma vida que honre a Deus (12.17);
i.        Que coloque Deus como primazia (12.29-31; 41-44);
j.        De vigilância ( 13.5, 37);
k.      Dependência do Espírito Santo (13.11);
l.        Uma vida de perseverança em meio a perseguição (13.13).

    V.            CONSIDERAÇÕES FINAIS
Só Deus nos dá condição de fazermos a sua vontade (Ef. 2.8; Fp 2.12,13). Só Jesus é quem nos capacita (1.17). O poder de Deus é quem Salva (10.27) e o sacrifício substitutivo de Jesus Cristo, o filho de Deus (10.45; 14.24), nos faz participantes desta grandiosa família que tem a sua morada garantida (Fp 3.20).


Referência:
GEISLER. Norman L. Ética Cristã: opções e questões contemporâneas. São Paulo: Vida Nova, 2ª ed. 2010.
HENDRIKSEN, William. Marcos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003.
PFEIFFER (org.). Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD. 2009.
VINE, E W; UNGER, Merril F.; JUNIOR, William W. Dicionário vine: o significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.




[1] PFEIFFER (org). Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD. 2009.
[3] Extraída do dicionário bíblico Wycliffe (2007), p. 983.
[4] VINE, E W; UNGER, Merril F.; JUNIOR, William W. Dicionário vine: o significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
[5] Idem.
[6] Idem.
[7] Explicação do comentário Moody: “José consumou o período de noivado levando Maria para viver em sua casa para que Jesus por ocasião do Seu nascimento fosse o seu filho legítimo e herdeiro do trono, Entretanto, ele não a conheceu sexualmente até o nascimento. O enquanto não indica necessariamente o que aconteceu depois. Entretanto, qualquer um deduz logicamente que seguiu-se o relacionamento normal do casamento, a não ser que se pretenda defender a virgindade perpétua de Maria. Mateus revela que não tinha tal inclinação” (p.9).
[8] Ética Cristã, Norman Geisler.
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