sábado, 19 de junho de 2010

A vida de oração do Mestre

"Depois, entraram em Cafarnaum, e, logo no sábado, foi ele ensinar na sinagoga. Maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas. Não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou: Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus! Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai desse homem. Então, o espírito imundo, agitando-o violentamente e bradando em alta voz, saiu dele. Todos se admiraram, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem! Então, correu célere a fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizinhança da Galiléia. E, saindo eles da sinagoga, foram, com Tiago e João, diretamente para a casa de Simão e André. A sogra de Simão achava-se acamada, com febre; e logo lhe falaram a respeito dela. Então, aproximando-se, tomou-a pela mão; e a febre a deixou, passando ela a servi-los. À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados. Toda a cidade estava reunida à porta. E ele curou muitos doentes de toda sorte de enfermidades; também expeliu muitos demônios, não lhes permitindo que falassem, porque sabiam quem ele era. Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava." (Marcos 1:21-35)

É difícil para nós imaginarmos o nível de exigência desse ministério triplo de Jesus. Marcos nos dá o resumo de um dia comum em Cafarnaum. Já começou com ensino, e Jesus deixou seus ouvintes impressionados com a autoridade com a qual falava. Notícias sobre ele se espalharam rapidamente por toda a Galiléia, de modo que multidões vieram ao seu encontro para receberem o ensino e para serem curadas. Naquela noite, depois de entardecer, quando o tempo esfriou e ele esperava por uma refeição e algum descanso, "toda a cidade se reuniu à porta da casa" (v.33), e ele curou os enfermos. Soa fácil, mas, quando mais tarde, ele curou uma mulher que sofria de hemorragia, lemos que poder saiu dele. Ele deve ter se sentido esgotado. E ainda mais desgastante foi o seu confronto com os espíritos malignos. O reino de Deus havia chegado; o reino do demônio não bateria em retirada sem luta. 

Pergunto-me a que horas Jesus foi se deitar naquela noite. Tudo o que sabemos é que, depois de um dia intenso de ministério, ele precisava de repouso físico e espiritual. Muito cedo pela manhã, Jesus se levantou e foi para um lugar solitário para orar.

Lucas foi o evangelista que demonstrou um interesse maior nesse aspecto do comportamento de Jesus. Ele menciona dez ocasiões em que Jesus orou, muitas das quais não aparecem nos outros Evangelhos. 

Jesus certamente conhecia os versículos do Antigo Testamento como Isaías 40.31: "Aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças". E buscou essa renovação de energia na oração. Nós sabemos também quão íntima era a sua relação com seu Pai, tendo em vista o uso que fez da forma de tratamento diminutiva aramaica, "Abba". O falecido professor Joachim Jeremias escreveu: "Em nenhum lugar na literatura das orações do judaísmo antigo... essa invocação de Deus como Abba é encontrada... Jesus, por outro lado, sempre a usou quando orava". Assim, renovado e descansado por meio da oração, Jesus retornaria às pressões de seu ministério intenso. É nesse ritmo, entre oração e o ministério, entre renovação e o engajamento, que capacitou Jesus para resistir às pressões de seu ministério. E se ele necessitou disso, quanto mais nós necessitamos!


Extraído do livro:

Uma Vida Voltada para Deus A Bíblia Toda o Ano Todo
John Stott

2 comentários:

Luiz Augusto disse...

Quando Jesus estava cansado ele orava. Quando eu estou cansado eu murmuro. Esse texto é uma bela chinelada de Deus pra mim.

Dani disse...

E Jesus deve ser o nosso exemplo... E como fica claro na Palavra, Ele não só falava, mas demonstrava com suas atitudes. Daí sua autoridade, que o diferenciava dos fariseus, que ficavam num discurso que não eram capazes de cumprir. Precisamos da graça de Deus para que possamos mortificar o nosso eu para vivermos para a glória de Deus, assim como Jesus.
E realmente isso só é possível pela oração e pela Palavra.

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